A crise institucional instalada no Supremo Tribunal Federal (STF) está prestes a completar um mês, produzindo desgastes internos em várias frentes e alcançando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na reta final do primeiro turno. A ala alinhada ao ministro André Mendonça procurou o presidente do STF, Edson Fachin, para questionar ações de aliados do ministro Alexandre de Moraes que, na avaliação desses integrantes, tentam arrastar o Tribunal Eleitoral para o conflito.
Nessas conversas, ministros pediram que Fachin acelere o julgamento no plenário da decisão do ministro Flávio Dino que derrubou a ordem de Mendonça, tomada no TSE, para que plataformas excluíssem postagens sobre a discussão em torno do título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida. O grupo de Mendonça espera que o tema seja levado ao plenário nas sessões desta semana e avalia ter votos suficientes para restabelecer a retirada dos posts conforme determinado inicialmente pelo TSE.
Nesse período, a crise gerada pelo embate direto entre André Mendonça e Alexandre de Moraes superou as investigações do Caso Master e envolveu outros magistrados em uma série de decisões conflitantes com impacto eleitoral. A divisão ficou evidente com o levantamento do sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou a troca de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, dividindo a Corte em diferentes correntes de apoio.
O desgaste também se refletiu em outros temas sensíveis, como o reajuste do Bolsa Família, que motivou ações no TSE e no STF. Enquanto Mendonça negou um pedido de suspensão do reajuste por questões processuais, Gilmar Mendes chamou o assunto para o STF e declarou a validade do aumento governamental em uma ação sob sua relatoria, atendendo a um pleito da Advocacia-Geral da União.
Outro ponto de tensão envolveu os precatórios do setor sucroalcooleiro, impulsionado por mensagens encontradas no celular de Vorcaro que apontam ligações com o desembargador Newton Reis. Aproveitando o momento de instabilidade, Gilmar Mendes enviou uma ação sobre o tema para o plenário com o objetivo de uniformizar o entendimento sobre a tese que discute a necessidade de perícia individualizada para a comprovação de prejuízos.
O episódio mais recente na relação entre as alas ocorreu em torno de postagens sobre Nossa Senhora Aparecida. Após André Mendonça determinar a remoção de conteúdos nas redes sociais, o ministro Flávio Dino cassou a decisão do colega em uma ação no STF e liberou as publicações. O caso agora aguarda submissão ao plenário pelo presidente Luiz Edson Fachin, mantendo a Corte em estado de atenção na proximidade da votação.
Fonte: g1.globo.com
