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Não é a santa que deveria estar no centro do debate eleitoral

A menos de uma semana das eleições, boatos envolvendo Nossa Sra. Aparecida dominaram o noticiário político, desviando o foco de pautas essenciais para a população.

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Não é a santa que deveria estar no centro do debate eleitoral

A menos de uma semana das eleições, a figura de Nossa Senhora Aparecida ocupou o centro dos debates nos principais veículos de comunicação do país. A polêmica ganhou força após a circulação de um boato nas redes sociais alegando que o candidato Flávio Bolsonaro pretendia retirar o título de padroeira do Brasil da santa, em um suposto aceno ao eleitorado evangélico.

O boato rapidamente mobilizou diferentes setores da sociedade e gerou intensa repercussão digital. Flávio Bolsonaro publicou vídeos para negar a intenção de alterar o título da santa, mas acabou gerando novos atritos ao acusar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil de colaborar na propagação do rumor.

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o cenário para reforçar laços religiosos. Janja publicou uma imagem do presidente com a representação de Nossa Senhora Aparecida, enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin compartilhou conteúdo voltado à preservação das tradições católicas.

Embora a notícia sobre a santa tenha se revelado falsa, analistas apontam que ela encontrou terreno fértil devido ao histórico da família Bolsonaro de misturar religião e política com discursos direcionados aos evangélicos. Declarações anteriores, como a promessa de decretar que o Brasil pertence ao Senhor Jesus Cristo, ignoram a pluralidade religiosa e o princípio do Estado laico.

O principal incômodo gerado por essa dinâmica, no entanto, é o desvio de foco das pautas que realmente impactam a vida das mulheres comuns. Questões estruturais como a sobrecarga de trabalho das chefes de família, a violência doméstica, a desigualdade salarial, a falta de vagas em creches e o endividamento continuam relegadas a segundo plano.

As mulheres compõem a maioria do eleitorado brasileiro e sofrem de maneira mais aguda os impactos das crises econômicas. É com base nas propostas para esse público que o cenário político deveria ser avaliado, ponderando entre diferentes visões de Estado, direitos e políticas públicas de proteção e igualdade de gênero.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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