O mercado de trabalho formal brasileiro registrou um saldo de quase 4,6 milhões de empregos gerados para beneficiários do programa Bolsa Família entre janeiro de 2023 e julho de 2026, conforme aponta um estudo conduzido por pesquisadores da Fundação Getulio Vargas (FGV). O indicador representa a diferença direta entre o volume de contratações, que somou 15,3 milhões, e o total de demissões, que atingiu 10,8 milhões no mesmo intervalo.
Com o resultado positivo, o número de vagas abertas para esse grupo populacional equivale a 85,2% de todo o saldo líquido de postos com carteira assinada criados no país no período analisado, que foi de 5,4 milhões. De acordo com os autores da publicação, os números evidenciam uma forte inclusão produtiva e servem para refutar críticas recorrentes de que os programas de transferência de renda afastariam os cidadãos do mercado laboral.
Os pesquisadores destacam que a regulamentação do auxílio permite que o brasileiro continue recebendo o benefício mesmo enquanto exerce atividade remunerada, desde que a renda familiar per capita permaneça abaixo do limite estipulado de R$ 218 mensais. Durante o período analisado, os beneficiários responderam por 16,7% do total de contratações no território nacional e representaram 12,5% do total geral de desligamentos registrados.
O levantamento detalha ainda o perfil sociodemográfico dos trabalhadores contemplados pelas vagas. Jovens na faixa etária entre 18 e 24 anos lideraram a participação no saldo de empregos, respondendo por 40,5% do total, o equivalente a 1,9 milhão de postos. No recorte por cor ou raça, houve predominância de trabalhadores pardos, totalizando 2,9 milhões ou 62,7%, enquanto as mulheres representaram 55,4% do saldo, somando 2,5 milhões.
Em termos regionais, o estudo apontou um contraste importante em nove estados brasileiros — Maranhão, Alagoas, Ceará, Bahia, Pará, Rio Grande do Norte, Acre, Pernambuco e Sergipe —, onde o saldo de vagas entre não beneficiários foi negativo. Nesses locais, o desempenho positivo dos integrantes do Bolsa Família foi fundamental para amortecer e compensar a retração do mercado de trabalho para o restante da população.
Utilizando dados do Caged cruzados com informações do CadÚnico e do Bolsa Família, a pesquisa buscou qualificar o debate sobre a dinâmica econômica recente. Para os especialistas da FGV, o alívio financeiro proporcionado pelas transferências de renda reduz restrições do cotidiano e possibilita que famílias vulneráveis façam escolhas que aumentam sua competitividade e produtividade perante o mercado formal.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
