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Calor excessivo torna mares mais salgados, e oceano global, mais ácido

Relatório assinado por mais de 120 cientistas aponta que ondas de calor e derretimento de gelo provocam mudanças profundas nos oceanos, aumentando salinidade e acidez.

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Calor excessivo torna mares mais salgados, e oceano global, mais ácido

Ondas de calor intensas e o derretimento acelerado de geleiras estão provocando transformações profundas no oceano global, conforme aponta um relatório publicado por mais de 120 cientistas. O levantamento detalha que os mares estão lidando com um aumento expressivo na salinidade das águas já salgadas e com uma acidificação cada vez mais acentuada.

De acordo com o estudo, os oceanos foram responsáveis por absorver cerca de 90% do excesso de calor retido no planeta em virtude das emissões de gases de efeito estufa geradas por atividades humanas. Somente no ano de 2025, estima-se que a massa aquática tenha acumulado 23 zetajoules de calor, montante equivalente a aproximadamente 40 vezes toda a energia consumida no mundo no ano anterior.

Entre os impactos mais drásticos desse cenário está a aceleração na elevação do nível médio do mar. Dados compilados pelo serviço marinho da União Europeia, o Mercator Ocean International, indicam que a alta anual subiu de uma média de 3,8 mm entre 1999 e 2025 para 4,2 mm no período compreendido entre 2012 e 2025.

Especialistas alertam que os efeitos de marés de tempestade e episódios de eventos extremos tendem a se agravar diante dessa tendência contínua. Pequenos Estados insulares figuram entre os mais vulneráveis, tendo cerca de dois terços de suas zonas econômicas afetadas pela subida das águas desde o final da década de 1990.

Além do aquecimento e da expansão volumétrica, o relatório aponta que o oceano ficou cerca de 17% mais ácido entre 1985 e 2025, impulsionado pela constante absorção de dióxido de carbono. Paralelamente, áreas naturalmente salgadas registraram índices ainda mais elevados de salinidade nos últimos anos.

Na região polar ártica, as temperaturas da água do mar e da superfície congelada subiram cerca de 4,2°C nas últimas quatro décadas, superando o ritmo de aquecimento do ar na mesma zona. Enquanto isso, na Antártida, a redução drástica da extensão do gelo marinho já afeta populações de pinguins e altera profundamente a biodiversidade local.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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