Doze entidades médicas lançaram uma carta conjunta nesta quinta-feira (1º) exigindo que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) retire de circulação os implantes hormonais femininos, popularmente conhecidos como chips da beleza. O documento detalha que os dispositivos subcutâneos provocam uma série de riscos severos ao organismo, abrangendo alterações cardiovasculares e metabólicas, disfunções hepáticas, tromboembolismo, acidente vascular cerebral (AVC) e possíveis correlações com o risco de desenvolvimento de câncer.
As associações médicas também questionam veementemente a ausência de ensaios clínicos rigorosos que comprovem a real eficácia e a segurança dos implantes manipulados para as variadas finalidades comerciais em que são ofertados. Divulgada durante o 20º Congresso Mundial de Menopausa, a carta conta com a assinatura de renomadas instituições como a Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), a SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) e a International Menopause Society.
O manifesto esclarece que a terapia hormonal convencional para a menopausa, quando prescrita com indicações corretas e restrições respeitadas, constitui um tratamento respaldado pela ciência. As críticas recaem especificamente sobre as formulações manipuladas de implantes, que frequentemente combinam ativos e dosagens sem o devido respaldo de estudos científicos consolidados. Esses produtos costumam conter testosterona, gestrinona e estradiol, sendo comercializados para emagrecimento, ganho de massa muscular, aumento de disposição e fins estéticos.
Outro fator de extrema preocupação apontado pelas entidades diz respeito à via de administração. Ao contrário de medicamentos tradicionais que permitem ajustes rápidos de dose ou interrupção imediata, os hormônios liberados por implantes subcutâneos permanecem atuando no corpo por vários meses. Diante de reações adversas ou concentrações elevadas, torna-se inviável conter prontamente os efeitos, sendo a remoção física do dispositivo por vezes complexa ou incompleta, sobretudo no caso dos pellets bioabsorvíveis.
A mobilização também condena o apelo publicitário do termo bioidêntico, classificado como uma mera estratégia de marketing desprovida de garantia de qualidade farmacêutica ou mitigação de riscos. Dados da plataforma Vigicom Hormônios, gerida pela SBEM, já computaram dezenas de complicações severas e óbitos vinculados à utilização desses implantes sem acompanhamento adequado. Diante disso, o grupo de especialistas reforça a urgência de medidas enérgicas por parte dos órgãos reguladores para proteger a saúde da população feminina contra práticas comerciais desenfreadas.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
