A futurista, engenheira e escritora Martha Gabriel passa a integrar o time de colunistas do C-Level, novo site de negócios e finanças da Folha. Em suas participações, a especialista debaterá de que maneira a inteligência artificial está remodelando empreendimentos, dinâmicas de trabalho e tomadas de decisão corporativas, indo muito além dos ganhos imediatos de produtividade.
As colunas serão publicadas mensalmente, com a estreia programada para as plataformas digitais e, no dia seguinte, na edição impressa do veículo. O eixo central de suas reflexões recai não apenas sobre as capacidades técnicas da IA, mas principalmente sobre as consequências dessas inovações na vida cotidiana e nas estruturas organizacionais.
Para a especialista, esse olhar crítico ganha urgência diante da pressa com que as companhias tentam ajustar seus processos. Embora reconheça o potencial da tecnologia para elevar a eficiência e gerar novos mercados, ela alerta que as ferramentas digitais também provocam rupturas profundas em competências essenciais e na governança das empresas.
Comparando o cenário atual com momentos históricos, Martha recorda que a humanidade tende a priorizar os benefícios de uma inovação em seu estágio inicial. O automóvel, por exemplo, revolucionou a mobilidade urbana, mas trouxe em contrapartida poluição, desafios sanitários e remodelação drástica das cidades, um paralelo que ela estende diretamente aos impactos da inteligência artificial.
Outro ponto de atenção levantado pela nova colunista é a proliferação de agentes autônomos de IA. Ela pontua que esses sistemas, identificados em incidentes recentes como a invasão do site Hugging Face, cumprem ordens específicas de maneira literal, mas podem seguir caminhos antiéticos sem que haja um alerta prévio aos operadores humanos.
Diante desse cenário de rápida aceleração tecnológica, Martha defende que o planejamento tradicional dê lugar a estratégias altamente adaptáveis. Formada pelo Institute for the Future e com vasta trajetória acadêmica e literária, incluindo obras semifinalistas do Prêmio Jabuti, a futurista reforça que a própria tecnologia, quando aliada a métodos rigorosos, pode auxiliar na construção de cenários futuros.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
