Empresas de apostas esportivas, conhecidas como bets, e companhias terceirizadas que prestam serviços ao setor começaram a relatar o início de ondas de demissões em decorrência da recente medida provisória que proibiu a operação de apostas de quotas fixas no território nacional. Os relatos foram encaminhados diretamente por organizações do segmento, que já projetam impactos severos no mercado de trabalho.
De acordo com estimativas de um estudo elaborado em conjunto pela LCA Consultores Econômicos e pela Cruz Consulting, o encerramento das atividades pode provocar a supressão de cerca de 15,5 mil postos de trabalho em toda a cadeia produtiva ligada ao segmento no país.
Em um primeiro momento, as companhias mais atingidas têm sido aquelas contratadas especificamente para realizar ativações de marca, campanhas publicitárias ou gerenciar eventos de patrocínio vinculados a clubes de futebol. No entanto, o corte de pessoal já alcança algumas das principais casas de apostas em atividade no Brasil.
Uma das empresas do setor informou à coluna ter realizado a dispensa imediata de 500 colaboradores que atuavam no atendimento ao cliente por meio de centrais de atendimento telefônico (call center).
A proibição das apostas foi formalizada no final de setembro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória com o objetivo de barrar a atuação desse mercado. O pacote enviado pelo governo ao Congresso também inclui um projeto de lei que estabelece penas de reclusão de quatro a seis anos para quem for flagrado explorando a atividade de apostas de forma irregular.
A medida governamental conta com amplo apoio popular. Dados de uma pesquisa recente realizada pelo instituto Datafolha revelam que 78% dos brasileiros aprovam a interdição das apostas, enquanto apenas 18% se posicionam de forma contrária. O respaldo popular é majoritário em todos os estratos demográficos avaliados, destacando-se o índice de 82% entre as mulheres e 74% entre os homens.
Levantamentos anteriores do mercado de trabalho formal, como a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2024, apontavam a existência de 67 ocupações formais distintas na área, período em que o número de postos de trabalho havia triplicado. Na ocasião, a remuneração média mensal era de R$ 7.000 para contratados diretos e de R$ 4.000 para terceirizados, patamares superiores à média nacional registrada no mesmo período, que era de R$ 3.200.
Em comunicado oficial divulgado ao mercado, a Betano, uma das maiores plataformas de apostas do país, manifestou-se sobre o cenário e declarou que está cumprindo todas as determinações impostas pela nova medida provisória.
No entanto, a empresa criticou os rumos regulatórios adotados pelo governo. ‘Acreditamos, porém, que esta medida representa uma interrupção abrupta no caminho de construção e evolução do mercado regulado de apostas online no Brasil e coloca em risco avanços importantes dos últimos anos, especialmente na proteção dos consumidores, no combate ao mercado clandestino, na geração de receitas tributárias para o país e na segurança jurídica necessária para investimentos de longo prazo’, argumentou a casa de apostas em sua nota oficial.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
