Com 4 defesas de pênalti: Safonov repete o icônico Higuita – 17/12/2025 – O Mundo É uma Bola
O Flamengo perdeu a chance de dar um fecho de ouro ao seu fantástico ano de 2025 ao perder na disputa de pênaltis a Copa Intercontinental, que para a Fifa tem status de Mundial, para o Paris Saint-Germain.
O carrasco do rubro-negro do estádio Ahmed bin Ali, em Al Rayyan (Qatar), tem nome, sobrenome, idade, altura, nacionalidade e posição.
Matvei Safonov, 26 anos e 1,92 m, nasceu em Krasnodar, na Rússia. É goleiro do PSG desde a metade do ano passado.
Safonov, que também atua pela seleção de seu país, suspensa de competições pela Fifa (entidade máxima do futebol) e pela Uefa (que controla o futebol na Europa) devido à Guerra da Ucrânia, pegou nada menos que quatro das cinco cobranças de pênalti flamenguistas na disputa para definir o campeão.
Pararam nas mãos do russo, em sequência, o espanhol Saúl, Pedro, Léo Pereira e Luiz Araújo. Os três primeiros bateram miseravelmente mal, facilitando para Safonov.
Evitar a conversão de quatro pênaltis em uma decisão importante é raríssimo.
O goleiro colombiano René Higuita conseguiu na final da Libertadores de 1989, entre Atlético Nacional, da Colômbia, e Olimpia, do Paraguai, no estádio El Campín, em Bogotá.
Icônico, Higuita é uma espécie de lenda da posição. Fazia as vezes de goleiro líbero, sendo o precursor desse posicionamento, e de um jeito meio doido, pois adiantava-se e saía driblando os rivais –arriscadíssimo, mas ele mais acertou do que errou.
Também executou uma arriscadíssima, e muito plástica, “defesa escorpião” em um amistoso Inglaterra x Colômbia em Wembley, em 1995, saltando para a frente, apoiando as mãos no chão e usando os pés, juntos, para atingir a bola, afastando-a, isso muito perto da linha do gol e sem qualquer necessidade.
Ainda batia faltas e pênaltis, mostrando-se um goleiro artilheiro, a exemplo de Rogério Ceni e do paraguaio Chilavert.
Colunas
Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha
A diferença para Safonov é que, naquela disputa decisiva, Higuita não defendeu todos os quatro pênaltis seguidamente.
Pegou o primeiro, levou quatro gols seguidos, converteu o seu (se errasse, o Olimpia seria o campeão) e, nas cobranças alternadas, defendeu três chutes consecutivos.
Outro goleiro que em uma final de peso decidida via penalidades máximas teve sucesso estrondoso foi o romeno Helmut Duckadam (1959-2024), herói do Steaua de Bucareste contra o Barcelona em 1986, na Copa dos Clubes Campeões Europeus (atual Champions League).
No estádio Ramón Sánchez Pizjuán, em Sevilha, quatro vezes um jogador barcelonista tentou fazer o gol da marca da cal, quatro vezes o bigodudo Duckadam impediu, sendo o herói do time da Romênia, na primeira das duas únicas vezes que um representante do Leste Europeu ergueu a taça.
Desta vez, a glória ficou com o russo, que se tornou um ídolo instantâneo para seus colegas de PSG, que o jogaram para o alto, em festa, no estádio qatariano, e para a torcida do principal clube parisiense.
Afinal, se pegar um pênalti em uma disputa pode ser pouco (o flamenguista Rossi parou no um), pegar dois pode ser bom (serve em boa parte das decisões) e pegar três pode ser demais (no sentido elogioso), pegar quatro é somente para esporádicos predestinados.
Safonov, para amargor dos flamenguistas, é o predestinado da vez.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.


