Um estudo recente sugere que órgãos de indivíduos mais velhos, quando transplantados para pacientes mais jovens, podem passar por um processo de rejuvenescimento parcial. Com isso, eles ficariam biologicamente mais parecidos com o organismo de seus receptores, o que poderia ampliar significativamente as possibilidades de doações de órgãos no futuro.
O fenômeno inverso também foi observado pelos pesquisadores: quando o doador é jovem e o receptor é mais velho, o órgão recebido tenciona envelhecer de forma acelerada. As conclusões decorrem de um trabalho coordenado pelo pesquisador Jesse Poganik, vinculado à Universidade Harvard, nos Estados Unidos.
A versão preliminar da pesquisa foi compartilhada na plataforma online bioRxiv. Contudo, os dados apresentados pela equipe ainda precisam passar pelo rigoroso processo de revisão por pares antes de receberem a chancela definitiva para publicação em um periódico acadêmico de grande circulação.
Detalhes adicionais sobre o estudo foram veiculados pela revista britânica Nature. As primeiras pistas de que esse comportamento biológico ocorria surgiram a partir de testes laboratoriais com camundongos e, posteriormente, foram corroboradas em um grupo reduzido de pacientes humanos que passaram por transplantes.
No âmbito dos testes com roedores, os animais mantiveram seus próprios corações naturais, mas receberam órgãos de outros exemplares ligados à artéria carótida e à veia jugular. Após meses de funcionamento no organismo das cobaias de diferentes faixas etárias, os cientistas examinaram marcadores moleculares de envelhecimento celular.
A análise focou na expressão gênica e na metilação do DNA, mecanismos que regulam a atividade dos genes com o passar do tempo. Utilizando aprendizado de máquina, a equipe constatou que os marcadores nos órgãos transplantados alinhavam-se ao perfil etário dos receptores, indicando rejuvenescimento ou envelhecimento conforme a inversão das idades.
Na etapa seguinte, os cientistas validaram os resultados com seres humanos utilizando dados de biópsias do Brigham and Women’s Hospital, em Boston. Embora os efeitos tenham se repetido nos humanos, os pesquisadores ressaltam que não se trata de uma mudança mágica, já que os corações ainda sofrem estresse cirúrgico e mantêm certas características funcionais originais.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
