O cenário do primeiro turno das Eleições 2026 evidenciou uma divisão marcante do eleitorado brasileiro com base em fatores religiosos. Conforme levantamento recente, o senador Flávio Bolsonaro obteve avanço expressivo nas cidades com maior concentração de evangélicos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou queda nos municípios de maioria católica.
A análise dividiu os 5.571 municípios do país em três grupos populacionais, considerando a proporção de fiéis de cada religião. Os dados apontam que os redutos de maior presença evangélica foram cruciais para o desempenho de Flávio Bolsonaro, visto que, nas localidades com menor densidade dessa população, o parlamentar ficou atrás do atual mandatário.
No terço dos municípios brasileiros com maior perfil católico, o presidente Lula alcançou 59,4% dos votos válidos. Contudo, o índice representa uma queda de 5,5 pontos percentuais em comparação com os 64,9% obtidos na mesma faixa de cidades há quatro anos. Considerando um panorama mais amplo em relação a eleições passadas, a retração chegou a 11 pontos percentuais nesse segmento específico, que abrange predominantemente cidades de menor porte demográfico.
A reta final da campanha antes do pleito foi marcada por forte polarização e pela circulação de boatos nas redes sociais. Disseminou-se a falsa informação de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, mobilizando eleitores católicos e evangélicos. O senador classificou o episódio como fake news, recorreu à Justiça para derrubar cerca de mil publicações e atribuiu articulações a simpatizantes do Partido dos Trabalhadores, enquanto a CNBB negou qualquer envolvimento na difusão do conteúdo.
Especialistas apontam que o fator religioso tem ocupado espaço central na dinâmica eleitoral brasileira, alinhando-se a variáveis como renda, escolaridade e raça. Pesquisadores da área ressaltam, no entanto, que o eleitorado religioso não atua de forma acrítica, avaliando constantemente a conveniência do voto. O crescimento demográfico dos evangélicos — que passaram de 21,6% para 26,9% da população conforme o Censo 2022, enquanto os católicos recuaram de 65% para 56,7% — intensifica as disputas políticas em torno de símbolos e identidades religiosas no país.
Para a realização do estudo metodológico, as cidades mais evangélicas foram definidas como aquelas com percentual de adeptos acima da média nacional de 26,9%, abrangendo cerca de um terço dos municípios, enquanto o restante do território nacional foi dividido proporcionalmente em outros dois grupos.
Fonte: noticias.uol.com.br
