Últimas notícias
DESTAQUES

Revisão científica aponta que vício em exercício físico é raro e pode estar superestimado

Nova revisão publicada por pesquisadores internacionais indica que, embora a dependência de exercícios exista e traga riscos, sua prevalência real costuma ser superestimada pelo uso inadequado de ferramentas de rastreamento.

Compartilhe: WhatsApp Facebook X
Revisão científica aponta que vício em exercício físico é raro e pode estar superestimado

Um levantamento científico recente publicado no Journal of Behavioral Addictions aponta que, embora o vício em exercício exista e possa acarretar prejuízos de ordens físicas, psicológicas e sociais, a sua prevalência real tem sido consideravelmente superestimada pela literatura científica mundial. O estudo foi conduzido por pesquisadores de instituições da Hungria, como as universidades ELTE Eötvös Loránd e Széchenyi István, além da Flinders University, na Austrália.

Os dados analisados pelos especialistas demonstraram uma ampla variação de percentuais, indo de 3% a 42% entre indivíduos classificados em risco de dependência em diferentes pesquisas. Em subgrupos específicos, as taxas alcançaram 6,1% em ciclistas espanhóis, 15,4% entre maratonistas italianos e 7,6% em atletas de elite dinamarqueses. Segundo os autores, essa oscilação decorre das distinções entre as populações avaliadas, do uso frequente de amostras reduzidas e da interpretação equivocada de questionários de triagem como diagnósticos definitivos.

De acordo com os pesquisadores Attila Szabo, Zsolt Demetrovics e Bhavya Chhabra, as ferramentas empregadas no rastreamento servem apenas para identificar vulnerabilidades ou a possível manifestação de sintomas, e não para cravar um diagnóstico clínico. Altas pontuações frequentemente se relacionam a traços como paixão, busca por perfeição ou um forte comprometimento com o esporte, traduzindo características motivacionais em vez de uma verdadeira patologia.

Especialistas da área de preparação física reforçam que estruturar o cotidiano em torno dos treinos e manter níveis elevados de dedicação integram a rotina de muitos atletas e entusiastas. O volume intenso de atividade não configura, por si só, um transtorno, desde que não desencadeie danos severos à saúde ou ao bem-estar do praticante. A capacidade de pausar ou cancelar uma sessão de treino sem sofrimento emocional diferencia o engajamento saudável de um comportamento disfuncional.

O debate histórico em torno da dependência de exercícios remonta à década de 1970, evoluindo de observações psiquiátricas iniciais sobre privação de sono e ansiedade até a diferenciação atual entre o quadro primário, focado na recompensa da própria atividade, e o secundário, associado a condições como distúrbios alimentares, ansiedade, depressão e pressões estéticas.

Por fim, os especialistas ressaltam que os riscos associados ao excesso de carga e à falta de descanso adequado — como o overtraining, a deficiência energética relativa e lesões musculares graves — exigem acompanhamento clínico detalhado e abordagens terapêuticas focadas na recuperação do equilíbrio, e não no abandono obrigatório da prática esportiva.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Escrito por

admin