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O que se sabe sobre prisão de americano por suspeita de exploração sexual infantil no Rio

O que se sabe sobre prisão de americano por suspeita de exploração sexual infantil no Rio

Prisão de americano em SP por suspeita de exploração sexual infantil no Rio

Homem havia cometido crimes no Rio, mas foi preso na capital paulista; tem histórico de crimes também nos EUA. Crédito: PCERJ

Um norte-americano de 29 anos foi preso em São Paulo na segunda-feira, 22, por suspeita de envolvimento em crimes de exploração sexual e aliciamento de menores praticados no Estado do Rio de Janeiro. A polícia não divulgou o nome do homem. Desta forma, a defesa não foi localizada.

Veja a seguir o que se sabe sobre a prisão do americano:

Como o americano foi preso?

A Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), prendeu em São Paulo, na segunda-feira, o norte-americano pelos crimes de estupro de vulnerável e favorecimento à exploração sexual infantil.

Ele foi detido no bairro da Liberdade, no centro da capital paulista, durante a Operação Passaport No.

A prisão do suspeito aconteceu após investigação da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima, com o apoio de campo da Polícia Civil de São Paulo e do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

A ação também teve o apoio da Uber Investigações Globais e da Homeland Security Investigations (HSI) dos Estados Unidos.

“O MJSP reforça a importância da denúncia e do papel fundamental de cidadãos e empresas que colaboram com o fornecimento de dados cruciais para a interrupção de crimes contra crianças e adolescentes”, acrescenta a autoridade, em nota.

Como a Uber ajudou na prisão dele?

Um alerta encaminhado pela plataforma Uber comunicou às autoridades brasileiras sobre uma situação ocorrida em 8 de dezembro de 2025: um motorista parceiro relatou ao suporte a realização de uma viagem suspeita envolvendo o transporte de duas menores de idade desacompanhadas no Rio de Janeiro, informou o MJSP.

As adolescentes foram embarcadas no bairro do Jacaré, na zona norte do Rio, com destino a Santa Teresa, na zona sul, de acordo com o relato do motorista. Durante o trajeto, as menores afirmaram que encontrariam um homem estrangeiro que não falava português. O solicitante da corrida, utilizando o pseudônimo “Terry William”, coordenou todo o deslocamento via chat do aplicativo e WhatsApp, demonstrando contato prévio com as vítimas ao fornecer códigos de validação (PIN) diretamente a elas.

Rede complexa de múltiplos pseudônimos dificultou

A investigação revelou que o cidadão norte-americano utilizava uma rede complexa de múltiplos pseudônimos e contas falsas para dificultar o rastreamento policial. Entre os nomes utilizados estão: “Terry William”, “Terry Wilson”, “Steve Jennum” e “John Smith”.

Além desse caso, foram identificadas outras interações semelhantes com diferentes motoristas, onde o suspeito solicitava o transporte de crianças e mulheres para seus endereços de estadia.

Ele já tinha cometido crimes nos Estados Unidos?

Apurações identificaram que o investigado utilizava contas falsas em aplicativos de transporte, tem histórico criminal em mais de 13 Estados dos Estados Unidos.

Conforme a investigação, em postagens em redes sociais e transmissões ao vivo, datadas de dezembro de 2025, o suspeito se autodeclarou “turista sexual”.

Possível integrante de grupo acusado de exploração sexual de menores

O investigado é apontado como integrante do movimento denominado “Passport Bros”, composto por homens de países desenvolvidos que utilizam o poder econômico para explorar vulnerabilidades sociais de crianças e adolescentes em países da América Latina e Sudeste Asiático.

“Há indícios de que ele arrecadava fundos, de aproximadamente US$ 2 mil, com patrocinadores no exterior para financiar suas viagens, oferecendo em troca transmissões de atos sexuais. Para evitar a fiscalização, ele interrompia as imagens de suas lives enquanto estava fora dos EUA, demonstrando plena consciência da ilicitude de seus atos”, afirma o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), que apoiou a ação conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro com suporte operacional da Polícia Civil de São Paulo.

Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão domiciliar, o suspeito tinha diversos celulares e equipamentos para produção de conteúdo digital.

“Os policiais civis encontraram, em um pendrive, vídeo produzido pelo próprio investigado, onde ele abusa de uma criança de aproximadamente 6 a 7 anos, com a presença e anuência de uma mulher que aparentemente é mãe da criança e oferece dinheiro para o ato sexual. Diante disso, o norte-americano foi preso em flagrante delito por posse de material de abuso e exploração sexual infantojuvenil”, relata o MJSP.

Todo o material passará por perícia técnica para identificar outras possíveis vítimas e verificar a extensão da rede de exploração sexual, informa o ministério.

Já havia mandado de prisão contra ele no Rio?

Sim. Um mandado de prisão temporária já havia sido expedido no Rio de Janeiro contra o suspeito por estupro de vulnerável, informou a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo. “O homem foi levado à 4ª Delegacia de Polícia da Divisão de Proteção à Pessoa do DHPP, onde permaneceu à disposição do Poder Judiciário”, afirmou a SSP.

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