Minúsculas, mas dotadas de grande quantidade de energia, as partículas conhecidas como neutrinos chegam à Terra vindas diretamente do espaço, carregando informações valiosas sobre o Cosmos. Os esforços contínuos para a detecção desses chamados mensageiros fantasmagóricos levaram o físico belga Francis Halzen, de 82 anos e professor da Universidade de Wisconsin-Madison, a conquistar o Prêmio Nobel de Física.
A prestigiada láurea foi formalmente anunciada pela Academia Real de Ciências da Suécia, em Estocolmo. O marco científico da detecção de neutrinos de alta energia com origem astrofísica foi alcançado a partir da operação do observatório IceCube, construído nas imediações do polo Sul.
Do ponto de vista físico, os neutrinos caracterizam-se por não possuírem carga elétrica e apresentarem uma massa quase nula. Por conta dessas propriedades, eles praticamente não interagem com outras formas de matéria, atravessando com facilidade e sem serem detectados a galáxia e qualquer obstáculo em seu caminho, inclusive o planeta Terra de um lado ao outro.
Segundo detalhou a Academia Sueca de Ciências em comunicado oficial, dezenas de bilhões de neutrinos originados no Sol atravessam a unha de um dedo humano a cada segundo sem que haja qualquer percepção. A comunidade científica utiliza essas unidades subatômicas como verdadeiros mensageiros cósmicos para investigar o núcleo de eventos complexos, tais como o interior estelar, a formação de buracos negros e colisões entre galáxias.
Para viabilizar a observação, o observatório IceCube foi instalado nas profundezas do gelo antártico, contando com quase 5.500 sensores ópticos distribuídos a centenas de metros abaixo da superfície. Quando um neutrino colide com o núcleo de um átomo, gera-se uma carga elétrica capaz de emitir um feixe de luz azul, que pode ser detectado tanto na água quanto no gelo.
Especialistas apontam que a estrutura inaugurou uma nova forma de observar o Universo, comparável à invenção do próprio telescópio, mas baseada em partículas elementares. A construção do observatório demandou sete anos de trabalho e suas operações de coleta de dados ocorrem de maneira contínua desde 2011.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
