A dor de cabeça, conhecida cientificamente como cefaleia, é um incômodo comum que pode ter origens bastante variadas no organismo humano. Especialistas na área apontam que compreender o mecanismo por trás do desconforto é o primeiro passo para o tratamento adequado, dividindo as ocorrências em categorias clínicas distintas que ajudam no diagnóstico correto.
Segundo o neurologista Álvaro Pentagna e a médica Renata Londero, coordenadora do departamento científico de cefaleia da Academia Brasileira de Neurologia, as causas costumam ser divididas em primárias e secundárias. As primárias não apresentam uma origem orgânica específica identificável por exames de imagem, sendo diagnosticadas clinicamente através do histórico do paciente.
Por outro lado, as cefaleias secundárias surgem como sintomas decorrentes de outras condições de saúde pré-existentes. Entre os gatilhos estão infecções como sinusite e meningite, alterações na pressão arterial, problemas na visão não corrigidos e disfunções na articulação temporomandibular, conhecida como ATM.
O cotidiano também exerce forte influência no surgimento e agravamento das crises de dor na região cefálica. Fatores como a privação de sono, o jejum prolongado acompanhado de baixa hidratação, os níveis elevados de estresse e até mesmo a abstinência súbita de cafeína em pessoas acostumadas a consumir café são apontados como potenciais deflagradores do problema.
Entre os tipos mais comuns catalogados pela Classificação Internacional de Cefaleias encontram-se a enxaqueca, caracterizada por dores unilaterais e forte sensibilidade à luz e ao som; a cefaleia tensional, marcada por uma sensação de aperto e associada a desgastes físicos ou emocionais; e a cefaleia em salvas, que provoca crises intensas e unilaterais.
O uso excessivo de analgésicos para aliviar o incômodo pode gerar um efeito reverso, provocando a cronificação do quadro por abuso de medicação. Por isso, especialistas recomendam atenção aos sinais de alerta que exigem avaliação médica urgente, como dores acompanhadas de febre, fraqueza, paralisia facial, alteração na visão ou início repentino após um trauma craniano.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
