A discussão em torno do fim da escala de trabalho 6×1 motivou uma movimentação intensa de lideranças do setor produtivo no Congresso Nacional. Representantes da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) estiveram reunidos com senadores em Brasília para expor preocupações profundas e alertar sobre os riscos associados à eventual aprovação de mudanças na jornada laboral.
Durante os encontros, a entidade entregou um compêndio técnico detalhando os principais pontos de alerta para a economia brasileira. Entre as apreensões destacadas estão o encarecimento expressivo do custo do trabalho, as ameaças diretas à manutenção e criação de postos de trabalho formais e as consequências severas para ramos empresariais que dependem intensamente de mão de obra.
A diretoria da federação mineira criticou abertamente a condução do tema sob a influência do calendário eleitoral. Para a entidade, é imprescindível que o país conduza um debate técnico, aprofundado e desprovido de apelos puramente políticos, avaliando de forma realista os reflexos de uma redução forçada de jornada sem a correspondente diminuição salarial.
Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, pontuou que o caráter eleitoreiro da medida desconsidera a complexidade da cadeia econômica e alertou que o ônus financeiro não se restringirá apenas ao caixa das empresas, devendo ser repassado ao consumidor final.
De acordo com Roscoe, a pressão sobre as margens corporativas resulta em perda de competitividade e acaba desaguando no bolso do cidadão comum, que enfrentará produtos e serviços mais caros. O dirigente ressaltou que decisões de tal magnitude não podem ignorar os impactos diretos sobre emprego, renda e o crescimento sustentável do país.
Outro tópico central abordado pela federação diz respeito à autonomia das negociações coletivas. A entidade defende firmemente que acordos e convenções firmados de maneira direta entre corporações e seus empregados continuem a ser a principal ferramenta para a regulamentação de jornadas e escalas de trabalho no Brasil.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
