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Judicialização impulsionou expansão das escolas de medicina privadas, diz MEC

Relatório do Ministério da Educação aponta que processos abertos por força de decisões judiciais foram o principal motor da expansão dos cursos privados de medicina no Brasil entre 2015 e 2024.

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Judicialização impulsionou expansão das escolas de medicina privadas, diz MEC

Processos de autorização abertos por força de decisões judiciais responderam pelo principal motor da expansão das graduações privadas de medicina no país entre os anos de 2015 e 2024, de acordo com um relatório divulgado pelo Ministério da Educação (MEC). No período analisado, foram adicionados 169 cursos por essa via, sendo 85 deles originados de mandados e decisões da Justiça, o que representa 50,3% de todo o crescimento verificado no setor.

Em contrapartida, os editais vinculados ao programa federal Mais Médicos foram responsáveis pela criação de 66 novos cursos, contabilizando 39,1% das novas graduações. Os processos administrativos tradicionais responderam pelos 18 restantes, equivalente a 10,7% do total. Com isso, o universo de cursos privados de medicina passou de 143 instituições em 2015 para 312 em 2024, registrando um salto expressivo de 118,2%.

Os dados detalhados compõem o estudo “Panorama da Formação Médica no Brasil”, produzido pela Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres). Para a formulação do levantamento, o órgão cruzou informações do Censo da Educação Superior, do Cadastro e-MEC e de uma consolidação interna das ordens judiciais que permitiram a abertura e o andamento das graduações em território nacional.

A normativa estabelecida em 2013 pela lei que instituiu o Mais Médicos determinou que a abertura de novas graduações privadas passasse a ocorrer exclusivamente por meio de chamamentos públicos organizados pelo MEC. O objetivo central era direcionar o crescimento para municípios carentes de profissionais e dotados de infraestrutura de saúde adequada para a prática dos estudantes. No entanto, após uma moratória implementada em 2018 que suspendeu novos editais, mantenedoras privadas recorreram massivamente à Justiça para forçar o recebimento de seus pleitos.

Especialistas ouvidos pelo relatório e pesquisadores da área ponderam que o Poder Judiciário atuou principalmente destravando o fluxo de tramitação dos pedidos, cabendo ao próprio ministério a prerrogativa final de emitir as autorizações de funcionamento. O Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão proferida em 2024, confirmou a constitucionalidade da exigência de chamamentos públicos, mas salvaguardou as graduações que já haviam sido autorizadas pelo MEC em virtude das decisões judiciais.

Por fim, o documento do MEC e os primeiros resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) acenderam alertas quanto à qualidade do ensino ministrado por algumas dessas novas unidades. O cruzamento de dados indicou que os cursos mais recentes, privados e localizados no interior apresentaram proporções menores de desempenho satisfatório, revelando a necessidade de correção de rumos na expansão da formação médica brasileira.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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