O governo federal informou nesta terça-feira (6) que cerca de 26,5 milhões de apostadores ainda têm um total de R$ 1,325 bilhão para receber das plataformas de apostas que deixaram de operar no país. O montante permaneceu retido nas contas após o encerramento do prazo para a retirada voluntária do dinheiro, que terminou às 23h59 da última segunda-feira (5), conforme o cronograma oficial estabelecido para o fechamento das bets.
Como o prazo voluntário expirou, as empresas agora têm até quarta-feira (7) para repassar às instituições financeiras os saldos restantes de cada usuário. Esse procedimento será feito com base na identificação por CPF e nas contas bancárias que foram originalmente utilizadas para a realização dos depósitos, viabilizando assim a devolução dos recursos aos apostadores.
Apesar do expressivo volume de pessoas afetadas, os dados oficiais revelam uma grande concentração de renda. O ministro Dario Durigan apontou que cerca de 1% dos apostadores — o equivalente a aproximadamente 200 mil pessoas — concentra 80% de todo o valor pendente. Além disso, outros 3,4% dos usuários reúnem cerca de 90% do total da quantia retida nas plataformas.
O levantamento do governo também detalhou a existência de 86,2 milhões de contas que apresentam saldos extremamente baixos, variando entre R$ 0,01 e R$ 0,99. Somadas, essas contas representam R$ 15,5 milhões. O número total de contas supera a quantidade de apostadores porque é comum que uma mesma pessoa mantenha cadastros ativos em múltiplas plataformas simultaneamente.
Diante do cenário, o governo federal anunciou que vai apurar cerca de 40 contas que registram saldos considerados elevados, superiores a R$ 500 mil ou R$ 1 milhão. O objetivo da investigação é verificar a origem dos recursos e identificar possíveis indícios de lavagem de dinheiro ou movimentações financeiras ligadas a organizações criminosas.
Desde o dia 25 de setembro, o Ministério da Fazenda intensificou as ações de controle e solicitou o bloqueio de 13.241 sites ilegais de apostas. Dos 188 endereços que tinham autorização temporária para funcionar até a última segunda-feira, apenas um continuava acessível nesta terça, tendo o seu bloqueio também requerido pelas autoridades competentes.
Paralelamente às restrições de domínios na internet, as medidas abrangeram redes sociais e aplicativos de mensagens com o intuito de coibir a divulgação irregular. O governo exigiu a remoção de 974 páginas no Facebook, 560 perfis no Instagram, 900 canais e grupos no Telegram, 103 perfis no TikTok, 14 grupos no WhatsApp e um servidor no Discord, espaços que, segundo o ministro Dario Durigan, reuniam mais de 17 milhões de usuários.
Fonte: www.campograndenews.com.br
