A trajetória de um profissional nascido em Belo Horizonte ganhou destaque internacional ao liderar a reestruturação da ginástica artística masculina em Singapura. Enfrentando potências tradicionais como China e Japão, a equipe busca consolidar seu espaço no cenário asiático sob a tutela de uma comissão técnica com forte sotaque brasileiro.
O envolvimento de Azra com a modalidade começou tardiamente, aos nove anos de idade, após passagens por diversas outras modalidades esportivas por influência de sua família. Embora tenha competido até os 17 anos, ele percebeu que dificilmente alcançaria o topo como atleta, o que o motivou a cursar Educação Física e migrar para a carreira de treinador.
Segundo o próprio técnico, a limitação sentida em sua fase como competidor funcionou como o principal combustível para o sucesso à beira do aparelho. Essa dedicação o levou a trabalhar durante cinco anos no alto rendimento do Minas Tênis Clube e a colaborar com as categorias de base da seleção brasileira, acumulando uma bagagem de sete anos e meio no país.
Após o ciclo de Paris, em busca de um desafio que permitisse estruturar um programa esportivo mais abrangente, Azra aceitou o convite para assumir a seleção de Singapura. Desde 2025, sua missão tem sido desenhar metodologias de treinamento, calendários e a formação de novos técnicos no país asiático.
Apesar dos avanços e do reconhecimento internacional, o treinador enfatiza que o sucesso na ginástica é fruto de um planejamento de longo prazo que exige pelo menos uma década de investimento. Para ele, o atleta que brilha nas grandes competições representa apenas a ponta de um iceberg sustentado por uma complexa cadeia de apoio estrutural.
Com o olhar voltado para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, o contrato do brasileiro se estende até o final do ciclo atual. Mais do que conquistar uma vaga olímpica isolada, o grande objetivo de Azra em Singapura é deixar um legado sustentável que permita ao país continuar revelando talentos por muitas gerações.
Fonte: noticias.uol.com.br
