Enquanto as campanhas do segundo turno das eleições seguem mobilizadas nas ruas, um intenso movimento acontece nos bastidores de Brasília em relação à nova composição do Senado Federal e a sua futura relação com o Supremo Tribunal Federal (STF). Para a maioria dos novos parlamentares eleitos, a principal bandeira de atuação a partir do próximo ano será o debate sobre o funcionamento do STF e os pedidos de impeachment de ministros da Corte.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), que atua como coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), realizou uma série de reuniões no Supremo. Nos bastidores, ele tem conversado diretamente com ministros da Corte, com destaque para encontros com o presidente do STF, ministro Edson Fachin.
Durante as conversas institucionais com Fachin, Marinho tem sinalizado que o novo Senado não pretende adotar uma postura de revanche ou vingança contra o tribunal. Apesar dos acenos e das garantias dadas pelo parlamentar, a cúpula do Supremo mantém o cenário sob forte monitoramento devido ao peso político da nova bancada.
Apesar do diálogo com parte da cúpula do Judiciário, Rogério Marinho tem mantido distância de ministros como Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Na visão do campo conservador, Moraes é considerado o principal símbolo doposição ao bolsonarismo, fazendo com que seus movimentos entrem diretamente no radar político da nova composição do Senado, onde o PL formará a maior bancada, com 19 cadeiras.
Integrantes do Judiciário apontam que nem todo parlamentar bolsonarista apoia abertamente o impeachment de magistrados, mas reconhecem que muitos foram eleitos impulsionados por essa pauta e buscam atender às expectativas de seus eleitores. Outro fator decisivo para o futuro institucional será a disputa pela presidência do Senado, marcada para fevereiro.
O próprio Rogério Marinho surge como um dos nomes mais cotados para o comando da Casa, podendo superar Davi Alcolumbre (União-AP), cuja vantagem é avaliada como enfraquecida no atual cenário tanto por aliados de Flávio Bolsonaro quanto pelo Palácio do Planalto. Alcolumbre é apontado como próximo à ala de Moraes no STF, o que adiciona tensão à disputa. Como alternativa de meio termo, o nome de Arthur Lira (PP-AL), recém-eleito ao Senado, também circula nos bastidores como um possível equilibrador de forças.
Fonte: g1.globo.com
