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Iniciativa de criptomoedas distribui tokens em troca de divulgação pró-Flávio Bolsonaro

Esquema utilizando ativos digitais recompensa usuários que compartilham materiais de incentivo ao voto no senador Flávio Bolsonaro, levantando alertas de especialistas sobre legalidade eleitoral.

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Iniciativa de criptomoedas distribui tokens em troca de divulgação pró-Flávio Bolsonaro

Um site recém-lançado voltado ao comércio de criptomoedas iniciou uma estratégia que bonifica usuários com tokens digitais em troca da propagação de conteúdos e mensagens de incentivo ao voto em Flávio Bolsonaro. A operação ganhou tração após ser veiculada por perfis de grande alcance nas redes sociais, associando a campanha a projetos humanitários em território africano.

A divulgação da plataforma tem ocorrido principalmente por meio do perfil no Instagram hyperskidsafrica, que acumula milhões de seguidores e arrecada fundos para a construção de moradias voltadas a crianças em Uganda. Um dos vídeos publicados mostra os menores vestindo camisas amarelas com a inscrição B22 e entoando palavras de ordem favoráveis à candidatura do senador.

De acordo com as diretrizes informadas pelo próprio site da criptomoeda, os participantes recebem recompensas financeiras na forma de tokens ao realizarem postagens em redes sociais que demonstrem apoio ao movimento B22. A estratégia inclui apelos públicos para que eleitores considerem a proposta política associada ao candidato nas urnas.

Especialistas em direito eleitoral apontam semelhanças entre este modelo e os antigos campeonatos de cortes de vídeos utilizados em pleitos anteriores, a exemplo de práticas investigadas pela Justiça Eleitoral contra figuras políticas como Pablo Marçal. Juristas avaliam que a utilização de estrutura empresarial e incentivos financeiros para impulsionar propaganda eleitoral pode configurar doação vedada de pessoa jurídica e abuso de poder econômico.

Pesquisadores da área de democracia digital classificam a operação como complexa, destacando o cruzamento entre ativos criptográficos, visibilidade algorítmica e propaganda política direcionada. Para os especialistas, a vinculação de causas humanitárias à promoção explícita de candidaturas eleitorais levanta graves questionamentos sobre a legalidade do financiamento e da veiculação de campanha.

Em contrapartida, os organizadores e os canais de divulgação do projeto sustentam que a distribuição dos tokens possui caráter independente e não mantém vínculos oficiais com partidos políticos, candidaturas ou com a própria campanha de Flávio Bolsonaro. A equipe do candidato, por sua vez, foi procurada para prestar esclarecimentos sobre a iniciativa, mas não apresentou retorno imediato até o encerramento do levantamento.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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