Em Mato Grosso do Sul, a falta de infraestrutura obstétrica em diversos municípios obriga futuras mães a percorrerem longas distâncias em busca de atendimento para o nascimento de seus filhos. A cozinheira Kethelyn Mariany Artiaga de Souza, de 22 anos, enfrentou um temporal no final de setembro enquanto era transportada em uma ambulância do Samu, percorrendo 141 quilômetros entre Camapuã e Campo Grande para tentar garantir que o filho nascesse com segurança.
A viagem precisou de paradas constantes para avaliações clínicas da equipe médica. Para Kethelyn, o trajeto trouxe lembranças dolorosas de 2023, quando perdeu um bebê de sete meses após complicações decorrentes da demora no transporte de uma região isolada de Camapuã até a cidade. Desta vez, a gestação resultou no nascimento de gêmeos no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap/UFMS), em Campo Grande, com os recém-nascidos encaminhados para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES), 13 dos 79 municípios sul-mato-grossenses não dispõem de hospitais ou unidades capazes de realizar partos. A lista inclui cidades como Dois Irmãos do Buriti, Nioaque, Bandeirantes, Corguinho, Jaraguari, Rochedo, Terenos, Ladário, Douradina, Taquarussu, Paraíso das Águas, Paranhos e Batayporã. Devido a essa carência, pacientes precisam recorrer à chamada ‘ambulancioterapia’ ou utilizar vans disponibilizadas pelas prefeituras para consultas e procedimentos na Capital.
A situação gera preocupação não apenas pela distância, mas também pelas condições em que o diagnóstico pré-natal chega aos hospitais de referência. Profissionais de saúde apontam que muitas gestantes chegam sem o acompanhamento adequado ou com triagens que nem sempre refletem a real complexidade do quadro clínico, dificultando a prevenção de riscos para mães e bebês.
Como resposta às desigualdades regionais e para ampliar o suporte materno-infantil, o governo estadual e os municípios têm articulado a implementação do Plano de Ação Regional da Rede Alyne. Entre as medidas previstas estão a instalação de ambulatórios especializados para gestação e puerpério de alto risco em municípios polos, centros de parto normal intra-hospitalares e a atualização de financiamentos para transporte inter-hospitalar, leitos de UTI neonatal e exames de pré-natal.
Prefeituras de municípios afetados pela falta de estrutura relatam dificuldades na contratação de profissionais especializados, como médicos anestesistas, e apontam reformas estruturais em andamento. Enquanto isso, gestantes continuam dependendo de redes de referência regionalizadas e do deslocamento para centros maiores para assegurar que o nascimento ocorra sob supervisão médica adequada.
Fonte: www.campograndenews.com.br
