O candidato à Presidência da República que vencer as eleições de 2026 terá o desafio de acelerar o fim do desmatamento, além de implementar as decisões da COP30 e do Plano Clima como metas estratégicas para assegurar a relevância do Brasil no cenário internacional. A avaliação foi feita pela ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira durante participação no Global Agribusiness Festival (Gaffff), realizado em São Paulo.
Segundo a ex-titular da pasta durante o governo Dilma Rousseff, o Brasil possui uma peculiaridade em relação às suas emissões de gases poluentes. Ela ressalta que o país é o único com índices expressivos vindos de atividades criminosas e não econômicas, o que impacta diretamente na definição de estratégias voltadas à descarbonização de setores como a indústria, a agricultura e a mineração.
Teixeira pontua que, embora o país registre atualmente taxas historicamente reduzidas de degradação ambiental — reflexo de políticas da atual gestão do presidente Lula, em oposição aos resultados negativos do governo de Jair Bolsonaro —, a trajetória de queda precisa ser mantida de forma rigorosa. Para a especialista, que também atua como copresidente do Painel Internacional de Recursos do Pnuma, deixar de combater o problema significa transferir riqueza diretamente para o crime organizado.
A conselheira do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) argumenta que, enquanto danos causados por atividades econômicas formais permitem escolhas de compensação com energia limpa e geração de empregos, a ilegalidade associada à devastação está profundamente conectada ao tráfico de drogas, de armas e ao garimpo. Por essa razão, defende que a repressão à criminalidade ambiental exige forte atuação do Estado, da polícia e de regulações consistentes.
No debate sobre a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, tema sensível e cercado de polêmicas na política ambiental recente, Izabella adota uma postura pragmática. Ela sustenta que o recurso natural é necessário enquanto o mundo mantiver sua dependência energética, exigindo inovação em modelos de royalties e compensações financeiras, além de transparência para que os recursos arrecadados continuem financiando setores essenciais como saúde e educação.
Por fim, ao comentar os desdobramentos diplomáticos de grandes eventos climáticos, a ex-ministra avalia que a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris não enfraqueceu a COP30, uma vez que a articulação foi capaz de descentralizar o foco para uma agenda prática de ação envolvendo governadores, prefeitos e o setor privado. As atenções, agora, voltam-se para a preparação da COP31, que ocorrerá de forma híbrida entre Turquia e Austrália, com foco na transição justa e no financiamento global.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
