
O linfoma não Hodgkin tipo B, condição que resultou na morte do cantor Netinho na terça-feira (13), é um tipo de câncer do sangue que se desenvolve no sistema linfático. Esse sistema compreende uma rede de órgãos, gânglios e vasos, a exemplo do baço e das amígdalas, que atuam na defesa do organismo humano.
No caso do artista, a hematologista Talita Maira Bueno da Silveira, do Hospital A.C. Camargo Cancer Center, apontou que o quadro se tratava de um linfoma plasmoblástico. Trata-se de uma variação rara do linfoma não Hodgkin tipo B, caracterizada por ser mais agressiva, de difícil tratamento e com menor probabilidade de cura em comparação a outros subtipos mais conhecidos.
Sintomas e fatores de risco
Os sinais da doença englobam gânglios aumentados, febre, fadiga, suores noturnos intensos e perda de peso sem causa aparente. Conforme o subtipo e a velocidade de crescimento do tumor, também podem surgir coceira, tosse, náuseas, vômitos, dores abdominais, dor de cabeça, dificuldade de concentração e manchas vermelhas na pele.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente compreendida pelos pesquisadores, diversos fatores de risco estão associados ao problema. Entre eles estão a idade, o sexo, a imunossupressão, doenças autoimunes, exposição a radiações, substâncias tóxicas e infecções causadas por vírus e bactérias, como HIV, HTLV, vírus de Epstein-Barr e a bactéria Helicobacter pylori.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico envolve exames como biópsia de linfonodos, tomografia, ressonância magnética, PET-CT, raio-X e punção de medula. Na sequência, é realizado o estadiamento para determinar a extensão da doença, dividindo-se em estágios que vão de I a IV, além da aplicação das letras E e S para indicar o comprometimento de órgãos externos ou do baço.
As opções terapêuticas variam conforme o estado geral do paciente, os sintomas e o estágio da enfermidade, podendo incluir quimioterapia, radioterapia, anticorpos monoclonais, terapia-alvo com imunoterapia e transplante de células-tronco. Avanços recentes também trouxeram novas estratégias, como medicamentos biespecíficos e a terapia CAR-T, que ajudam a reativar o sistema imunológico do paciente contra o tumor.
