
Os Estados Unidos enfrentam o pior surto de sarampo em mais de três décadas, impulsionados por alterações recentes no calendário vacinal e discursos contrários à imunização promovidos pelo governo de Donald Trump. O país já confirmou mais de 4,4 mil casos e três mortes neste ano, sendo que 98% dos infectados não estavam totalmente imunizados.
Impacto no cenário nacional
Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil, avalia que o retrocesso americano representa uma ameaça para todo o continente. O Brasil registrou 61 casos da doença neste ano, com predominância de origens importadas, mantendo o status de área livre de transmissão sustentada desde 2024. A reconquista da certificação foi alcançada graças ao esforço conjunto entre Ministério da Saúde, estados e municípios para elevar as coberturas vacinais da tríplice viral, que alcançaram 96% na primeira dose e 78% na segunda em 2024.
Mudanças na política dos EUA
Em agosto, a administração americana reduziu o número de imunizantes recomendados para crianças e determinou a separação da vacina tríplice viral em três doses distintas. Para Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), as diretrizes carecem de base científica e são inviáveis, uma vez que as vacinas individualizadas não são fabricadas há quase duas décadas. Especialistas também alertam que o fluxo de desinformação pelas redes sociais gera complacência e dúvidas na população brasileira, além de impactar a aceitação de outros imunizantes, como o da hepatite B em maternidades particulares.
