Onda de pessimismo se consolida no mercado americano. É o fim do bull market da IA?
Os futuros da Nasdaq recuavam 0,5% perto das 11h, puxados por baixas nas Sete Magníficas. A bolsa americana que concentra as empresas de tecnologia já acumula cinco semanas consecutivas de queda – algo que não se via desde 2022, antes de o lançamento do ChatGPT ter criado um bull market longevo.
Os investidores nos EUA voltam ao batente nesta terça (17), após o feriado do President ‘s Day, preocupados com os orçamentos crescentes das empresas para IA. “Há uma ansiedade persistente sobre se os gastos com IA serão lucrativos o bastante”, diz Aneeka Gupta, diretora de pesquisa macroeconômica da WisdomTree. “Também temos um movimento mais amplo de redução de risco, saindo das posições mais ‘lotadas’ após uma alta muito forte”, .
Fato é que a Nasdaq cai 4% no ano. Veja outros movimentos negativos lá de fora, deste ano que mal começou:
Nvidia: -2%
Alphabet (Google): -2%
Apple: -6%
Amazon: -14%
Microsoft: -17%
Não se trata da instauração de um bear market – embora Microsoft e Amazon flertem com um, com suas ações se aproximando dos 20% de queda. Mas, definitivamente, o setor de tecnologia dos EUA, motor do mercado global, não vive mais o período de otimismo que caracterizou os últimos anos.
Bom para as bolsas emergentes, como a nossa. No contrafluxo do mercado americano, o Ibovespa experimenta uma alta 15% no ano.
Lá fora, o que sobe mesmo é o pessimismo. Um número recorde de investidores afirma que as empresas estão gastando demais, segundo a mais recente pesquisa com gestores de fundos do Bank of America. Um quarto dos participantes apontou uma “bolha de IA” como o principal risco para os mercados, enquanto 30% disseram que o investimento em IA pelas big techs era a fonte mais provável de uma crise de crédito.
A Amazon está na linha de frente dos gastos com IA, depois de ter anunciado investimentos de US$ 200 bilhões nessa direção. E a Microsoft é a grande investidora do grande expoente da inteligência artificial, a OpenAI, dona do ChatGPT. Não é coincidência ambas estarem puxando as quedas no ano.
Petróleo
O Brent, apaga perdas após o Irã destacar exercícios militares perto do Estreito de Ormuz — ao mesmo tempo em que o país conduz uma nova rodada de negociações nucleares indiretas com os EUA. Brent começou o dia estável, a US$ 68,75 o barril, em Londres, depois de a TV estatal iraniana ter informado que partes do Estreito de Ormuz — uma das rotas de transporte de petróleo mais importantes do mundo — serão fechadas por “várias horas” na terça-feira como parte de exercícios militares do Irã.
Os exercícios, anunciados anteriormente, acontecem no momento em que Irã e EUA iniciam uma segunda rodada de negociações em Genebra.
O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã caso o país não aceite um acordo que limite o programa nuclear de Teerã em troca de alívio de sanções. Ele mobilizou navios de guerra e caças perto do Irã em resposta a uma recente repressão mortal do regime, após protestos em massa.
Mais tarde, na terça-feira, investidores acompanharão comentários do diretor do Fed Michael Barr sobre o mercado de trabalho e IA, enquanto a presidente do Fed de San Francisco, Mary Daly, discute IA e a economia. Os números de emprego no setor privado da ADP (na terça) e a ata da reunião de janeiro do Fed (na quarta) também podem oferecer uma leitura nova da economia.
Em outros mercados, outros metais preciosos acompanharam o recuo do ouro: a prata despencou 2% e a platina também caiu. O bitcoin recuou 1,1%, para US$ 68.091.
China, Hong Kong e vários mercados asiáticos estão fechados por causa do Ano-Novo Lunar.



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