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CASSEMS: O silêncio da gestão e o risco que o servidor não pode ignorar.

CASSEMS: O silêncio da gestão e o risco que o servidor não pode ignorar.

EDITORIAL

A CASSEMS não é uma empresa comum.
Não é um hospital privado tradicional.
Não é um empreendimento de mercado.

Ela nasceu para proteger a saúde do servidor público estadual. Está no seu Estatuto: a finalidade é a assistência à saúde dos seus beneficiários.

E a Assembleia Geral é o órgão soberano da entidade.

Soberano significa que o poder final está no servidor.

Mas a pergunta que hoje ecoa nos bastidores é inquietante:

O servidor ainda exerce esse poder — ou ele apenas financia decisões que não participa?

A autogestão virou estrutura paralela?

O Estatuto enquadra a CASSEMS como entidade de autogestão.

Autogestão pressupõe foco em um grupo fechado e governança participativa.

Nos últimos anos, porém, a instituição expandiu sua atuação hospitalar e ampliou sua presença operacional.

Expansão não é crime.
Modernização não é erro.

Mas expansão sem transparência plena é temerária e pode existir até crime escondido, pode? Sim! pode!

O próprio Estatuto determina que nenhuma prestação assistencial pode existir sem a respectiva receita de cobertura.

Então a pergunta é técnica, não política:

  • Onde estão os estudos atuariais públicos detalhando o impacto dessas expansões?

  • Onde está o demonstrativo didático mostrando que o servidor não está subsidiando riscos externos?

  • Onde está o debate amplo em assembleia verdadeiramente participativa?

Quando as respostas não circulam com clareza, instala-se a desconfiança.

ChatGPT-Image-27-de-fev.-de-2026-08_42_41-300x200 CASSEMS: O silêncio da gestão e o risco que o servidor não pode ignorar.Patrimônio, alienações e decisões concentradas

O Estatuto prevê que bens só podem ser alienados com autorização do Conselho de Administração, ok.

Mas…

o servidor comum entende a estratégia patrimonial adotada?

Entende o impacto das vendas, das reorganizações, dos novos modelos contratuais?

Em entidades de saúde, patrimônio não é detalhe.
É lastro.

Quando ativos mudam de configuração e a comunicação institucional é limitada a notas formais, o que deveria gerar segurança passa a gerar inquietação.

Rede credenciada: o sinal que ninguém pode ignorar.

Há relatos persistentes de atrasos em repasses, de clínicas insatisfeitas, de profissionais se desligando gradualmente da rede.

Se são casos isolados, a gestão deveria provar.
Se não são, o problema é maior do que parece

É ALGO MUITO GRAVE,  E PIOR, SENDO ESCONDIDO!

Em qualquer operadora de saúde, o primeiro sintoma de desequilíbrio aparece na ponta:
no médico que sai.
na clínica que suspende atendimento.
no hospital que restringe procedimentos.

Crises não começam com decretos.
Começam com desgaste silencioso.

A presidência no centro da responsabilidade

O Estatuto concentra atribuições relevantes no Presidente: administrar patrimônio, convocar assembleias, representar a entidade e fazer cumprir o Estatuto.

Portanto, quando a percepção de opacidade cresce, a responsabilidade política e institucional também cresce.

Não se trata de acusar.
Trata-se de cobrar.

Se tudo está regular e sustentável, por que não abrir amplamente os números?
Por que não realizar assembleias presenciais massivas, com espaço irrestrito para questionamentos?
Por que não transformar a prestação de contas em evento público de alta transparência?

Quem confia na solidez da gestão não teme o debate.

O risco que ninguém quer nomear

A CASSEMS não precisa estar quebrada para estar vulnerável.

Ela pode estar:

  • Pressionada por expansão acelerada

  • Com fluxo de caixa tensionado

  • Dependente de reestruturações patrimoniais

  • Vivendo desgaste na rede credenciada

E o maior risco não é financeiro.
É reputacional.

Quando o servidor começa a duvidar da sustentabilidade da sua própria Caixa de Assistência, o dano já começou.

A pergunta inevitável

A CASSEMS ainda está integralmente alinhada à sua missão original — ou está se transformando em algo que o servidor nunca discutiu formalmente?

O Estatuto prevê que a Assembleia pode deliberar sobre irregularidades de gestão .

Isso significa que o servidor não é espectador.

Ele é o poder soberano.

Mas poder que não se exerce vira formalidade.

Conclusão

Não se trata de espalhar pânico.
Trata-se de impedir que a apatia abra espaço para um problema maior no futuro.

A história das operadoras de autogestão no Brasil mostra um padrão claro:
primeiro vêm os ruídos.
Depois a saída de prestadores.
Depois a judicialização.
Depois o colapso.

A CASSEMS é patrimônio coletivo dos servidores de Mato Grosso do Sul.

Se a gestão está sólida, que prove com transparência radical.

Se há fragilidades, que sejam enfrentadas com honestidade institucional.

O que não é aceitável é o silêncio estratégico diante de dúvidas legítimas.

O servidor que não questiona hoje pode ser surpreendido amanhã.

E em matéria de saúde, surpresa quase nunca é boa notícia.

WhatsApp-Image-2026-02-27-at-08.34.24-169x300 CASSEMS: O silêncio da gestão e o risco que o servidor não pode ignorar.
Jeder Fabiano – Militar, musico, Presidente da ABECAMS – Associação dos Beneficiários da CASSEMS no Mato Grosso do Sul.
paciente usuário de Tirzepatida, empreendedor, business trader, broker internation business, um romancista nato.

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2 comments

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Claudionor Dias

Existem muitas duvidas e perguntas que o então presidente da cassems Ricardo Ayache não responde e muito menos esclarece.
Exemplos:
Descredenciamento de médicos.
Existência de um banco cassems
Pedidos de recadastramentos com a obrigação de apresentar os 3 últimos holerites.
Descredenciamentos de todos os laboratórios, vale explicar que foi criado o próprio laboratório cassems, mas por ser poucas unidades causa transtorno nos atendimentos e nas entregas dos exames.
Valor absurdo no fator participativo, já que pagamos um valor alto na mensalidade, isso sem contar que houve também aumento enorme nos exames, e que alguns a cassems já não cobre mais. E o absurdo, RX panorâmico para tratamento dentário e uma vez por ano.

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MILTON GOMES SILVEIRA

A Realidade narrada neste artigo demonstra muito bem a situação da CASSEMS, com a inversão dos poderes estatutários dos associados para a diretoria. A falta de transparência da gestão e o desrespeito aos direitos dos beneficiários, tem levado descrédito. O desligamento dos profissionais médicos e das clínicas por falta de pagamento, é um sintoma claro da má gestão da entidade. Se mesmo vendendo o patrimônio ainda continua com atrasos nos pagamentos, precisa de uma explicação séria da administração.

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