CASSEMS: O silêncio da gestão e o risco que o servidor não pode ignorar.
EDITORIAL
A CASSEMS não é uma empresa comum.
Não é um hospital privado tradicional.
Não é um empreendimento de mercado.
Ela nasceu para proteger a saúde do servidor público estadual. Está no seu Estatuto: a finalidade é a assistência à saúde dos seus beneficiários.
E a Assembleia Geral é o órgão soberano da entidade.
Soberano significa que o poder final está no servidor.
Mas a pergunta que hoje ecoa nos bastidores é inquietante:
O servidor ainda exerce esse poder — ou ele apenas financia decisões que não participa?
A autogestão virou estrutura paralela?
O Estatuto enquadra a CASSEMS como entidade de autogestão.
Autogestão pressupõe foco em um grupo fechado e governança participativa.
Nos últimos anos, porém, a instituição expandiu sua atuação hospitalar e ampliou sua presença operacional.
Expansão não é crime.
Modernização não é erro.
Mas expansão sem transparência plena é temerária e pode existir até crime escondido, pode? Sim! pode!
O próprio Estatuto determina que nenhuma prestação assistencial pode existir sem a respectiva receita de cobertura.
Então a pergunta é técnica, não política:
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Onde estão os estudos atuariais públicos detalhando o impacto dessas expansões?
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Onde está o demonstrativo didático mostrando que o servidor não está subsidiando riscos externos?
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Onde está o debate amplo em assembleia verdadeiramente participativa?
Quando as respostas não circulam com clareza, instala-se a desconfiança.
Patrimônio, alienações e decisões concentradas
O Estatuto prevê que bens só podem ser alienados com autorização do Conselho de Administração, ok.
Mas…
o servidor comum entende a estratégia patrimonial adotada?
Entende o impacto das vendas, das reorganizações, dos novos modelos contratuais?
Em entidades de saúde, patrimônio não é detalhe.
É lastro.
Quando ativos mudam de configuração e a comunicação institucional é limitada a notas formais, o que deveria gerar segurança passa a gerar inquietação.
Rede credenciada: o sinal que ninguém pode ignorar.
Há relatos persistentes de atrasos em repasses, de clínicas insatisfeitas, de profissionais se desligando gradualmente da rede.
Se são casos isolados, a gestão deveria provar.
Se não são, o problema é maior do que parece
É ALGO MUITO GRAVE, E PIOR, SENDO ESCONDIDO!
Em qualquer operadora de saúde, o primeiro sintoma de desequilíbrio aparece na ponta:
no médico que sai.
na clínica que suspende atendimento.
no hospital que restringe procedimentos.
Crises não começam com decretos.
Começam com desgaste silencioso.
A presidência no centro da responsabilidade
O Estatuto concentra atribuições relevantes no Presidente: administrar patrimônio, convocar assembleias, representar a entidade e fazer cumprir o Estatuto.
Portanto, quando a percepção de opacidade cresce, a responsabilidade política e institucional também cresce.
Não se trata de acusar.
Trata-se de cobrar.
Se tudo está regular e sustentável, por que não abrir amplamente os números?
Por que não realizar assembleias presenciais massivas, com espaço irrestrito para questionamentos?
Por que não transformar a prestação de contas em evento público de alta transparência?
Quem confia na solidez da gestão não teme o debate.
O risco que ninguém quer nomear
A CASSEMS não precisa estar quebrada para estar vulnerável.
Ela pode estar:
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Pressionada por expansão acelerada
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Com fluxo de caixa tensionado
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Dependente de reestruturações patrimoniais
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Vivendo desgaste na rede credenciada
E o maior risco não é financeiro.
É reputacional.
Quando o servidor começa a duvidar da sustentabilidade da sua própria Caixa de Assistência, o dano já começou.
A pergunta inevitável
A CASSEMS ainda está integralmente alinhada à sua missão original — ou está se transformando em algo que o servidor nunca discutiu formalmente?
O Estatuto prevê que a Assembleia pode deliberar sobre irregularidades de gestão .
Isso significa que o servidor não é espectador.
Ele é o poder soberano.
Mas poder que não se exerce vira formalidade.
Conclusão
Não se trata de espalhar pânico.
Trata-se de impedir que a apatia abra espaço para um problema maior no futuro.
A história das operadoras de autogestão no Brasil mostra um padrão claro:
primeiro vêm os ruídos.
Depois a saída de prestadores.
Depois a judicialização.
Depois o colapso.
A CASSEMS é patrimônio coletivo dos servidores de Mato Grosso do Sul.
Se a gestão está sólida, que prove com transparência radical.
Se há fragilidades, que sejam enfrentadas com honestidade institucional.
O que não é aceitável é o silêncio estratégico diante de dúvidas legítimas.
O servidor que não questiona hoje pode ser surpreendido amanhã.
E em matéria de saúde, surpresa quase nunca é boa notícia.

paciente usuário de Tirzepatida, empreendedor, business trader, broker internation business, um romancista nato.
Claudionor Dias
Existem muitas duvidas e perguntas que o então presidente da cassems Ricardo Ayache não responde e muito menos esclarece.
Exemplos:
Descredenciamento de médicos.
Existência de um banco cassems
Pedidos de recadastramentos com a obrigação de apresentar os 3 últimos holerites.
Descredenciamentos de todos os laboratórios, vale explicar que foi criado o próprio laboratório cassems, mas por ser poucas unidades causa transtorno nos atendimentos e nas entregas dos exames.
Valor absurdo no fator participativo, já que pagamos um valor alto na mensalidade, isso sem contar que houve também aumento enorme nos exames, e que alguns a cassems já não cobre mais. E o absurdo, RX panorâmico para tratamento dentário e uma vez por ano.
MILTON GOMES SILVEIRA
A Realidade narrada neste artigo demonstra muito bem a situação da CASSEMS, com a inversão dos poderes estatutários dos associados para a diretoria. A falta de transparência da gestão e o desrespeito aos direitos dos beneficiários, tem levado descrédito. O desligamento dos profissionais médicos e das clínicas por falta de pagamento, é um sintoma claro da má gestão da entidade. Se mesmo vendendo o patrimônio ainda continua com atrasos nos pagamentos, precisa de uma explicação séria da administração.



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