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Câmara vai votar PEC da Segurança Pública direto em plenário sem redução da maioridade penal

Câmara vai votar PEC da Segurança Pública direto em plenário sem redução da maioridade penal

Ex-presidente do STF defende criar Ministério da Segurança

Cezar Peluso diz que política do ‘bandido bom é bandido morto’ já se mostrou errada após Carandiru. Crédito: Beatriz de Souza/Estadão

BRASÍLIA — A Câmara dos Deputados vai votar nesta quarta-feira, 4, a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública sem o trecho que abre brecha para reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos.

O acordo foi decidido durante reunião de líderes com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), nesta tarde. Com isso, a proposta vai pular a etapa de apreciação em comissão especial, prevista anteriormente para esta manhã.

“A decisão da Presidência é avocar a PEC direto em plenário, para que ela possa ser deliberada no dia de hoje. Acertamos com o relator que o ponto inerente à discussão sobre o referendo da redução da maioridade penal, que o relator contemplava em seu relatório, será tratada em uma matéria à parte”, declarou Motta em coletiva de imprensa na Câmara.

O tema da redução da maioridade penal deve ser tratada em outra PEC, que terá uma comissão dedicada constituída pela presidência da Câmara. O presidente da comissão especial, Aluisio Mendes (Republicanos-MA), e o relator, Mendonça Filho, devem ocupar as mesmas funções no novo colegiado.

O movimento foi feito para facilitar a aprovação da PEC, uma vez que os governistas resistiam em deixar que a proposta fosse levada desse jeito ao plenário. Motta afirmou ser “público e notório” que o projeto teria uma dificuldade com o governo e os partidos de esquerda e centro-esquerda.

“Pelo bom funcionamento da Casa e para que possamos avançar de fato com a reestruturação do sistema de segurança pública no País, nós iremos tratar de forma apartada os pontos estruturantes da PEC da Segurança e a questão da redução da maioridade penal”, disse Motta.

A decisão de Mendonça Filho de retirar a questão da maioridade penal do texto vem após pressão de Motta, da situação e do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Partidos de esquerda e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) vinham apelando para que o relator deixasse o tema de lado. Em reunião com as bancadas de PT, PSOL, PCdoB e Rede na tarde da terça, Mendonça Filho prometeu “refletir” sobre a retirada até esta manhã.

A PEC deveria ter sido apreciada e votada em comissão especial nesta manhã, mas impasses em relação ao conteúdo do texto levaram Mendonça Filho a cancelar a sessão. O relator foi chamado para debater a proposta na residência oficial da presidência da Câmara.

Entre os nós a serem desatados, estavam reivindicações de polícias estaduais e Guardas Civis Municipais. Já a esquerda reclamava de alterações no escopo do projeto original, em especial a inclusão da redução da maioridade penal.

Mendonça Filho diz que ainda falta acertar com o Palácio do Planalto como ficará a questão do financiamento federal para a área de segurança pública, antes de a PEC ser levada a votação.

“O texto (que vai a plenário) é consensual, que reforça o investimento na segurança pública. É o último item que estamos discutindo com o Ministério da Fazenda, mas nossa intenção é elevar de R$ 2 bilhões para R$ 6 bilhões o investimento a partir dos fundos nacionais de segurança pública”, afirmou o relator.

O relator diz que a ideia é alocar fontes diversas, inclusive de taxação de casas de apostas, para a área de segurança pública, “sem entrar na discussão sobre política tributária”.

Idealizada pelo ex-ministro da Segurança Ricardo Lewandowski, a PEC era tratada como a principal aposta da gestão Lula na área, em que o governo tem sido mal avaliado pelos eleitores .

A versão original ampliava as atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF), rebatizada como Polícia Viária Federal, e da Polícia Federal no combate ao crime e incluía na Constituição o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e os fundos nacionais de financiamento do setor.

Em dezembro, Mendonça apresentou seu relatório com mudanças drásticas em relação à versão original e uma espécie de mistura do projeto de lei antifacção, então em tramitação no Senado.

Além do referendo sobre a maioridade penal, o texto do deputado previa sobretudo endurecer as penas de faccionados e blindagem dos Estados contra a influência da União para direcionar políticas públicas — na contramão da proposição de Lewandowski.

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