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Joga no tumulto que é gol: a coqueluche da bola parada – 05/03/2026 – O Mundo É uma Bola

Joga no tumulto que é gol: a coqueluche da bola parada – 05/03/2026 – O Mundo É uma Bola

A discussão do momento na Inglaterra, dona da liga de futebol mais badalada deste século (a Premier League), é a bola parada. Muito por conta do uso contínuo e profícuo do Arsenal, líder do campeonato, desse componente do jogo, com ênfase nos escanteios.

Qualquer córner a favor do time londrino que veste vermelho e branco, apelidado de Gunners (artilheiros) por ter sido fundado por fabricantes de canhões, é motivo para os adversários se sentirem vulneráveis.

Comandada pelo técnico espanhol Mikel Arteta, a equipe, campeã do Inglês pela última vez em 2004, está afamada por ter achado um jeito de tornar os tiros de canto bem mais perigosos do que já são.

Como? Com muito treino. De posicionamento e de congestionamento. A cada escanteio, o time enche a pequena área rival de “vermelhinhos” (ou “azulzinhos”, quando o uniforme alternativo é usado pelo Arsenal) e o cobrador coloca a bola, pelo alto, no local combinado.

Quem está lá tem chance elevada de conseguir o cabeceio porque seus companheiros estrategicamente fazem bloqueios que impedem os marcadores de atrapalharem devidamente quem está lá.

Com a pequena área lotada por 12, 14, 16 jogadores de linha, o goleiro fica com espaço exíguo para se mexer e com a visão amplamente prejudicada. Outrora senhor daquele território, tornou-se um encurralado.

Percebe-se o agarra-agarra entre os rivais. Algumas vezes o árbitro chama a atenção, e fica nisso. A regra não permite, mas, “como todo mundo faz”, segue o jogo. Se não houver um “ippon”, nada é marcado.

Conclusão: cabeceio para o gol ou, se não der, para que a bola fique em posição favorável a entrar na meta, seja por um toque de um colega ou de um adversário, que, tão perto está da linha de fundo, faz contra ao tentar salvar.

Estatísticas mostram que, e com o Arsenal liderando, os clubes estão recorrendo mais às jogadas de bola parada em que a redonda é atirada “no tumulto” –não só em escanteios, mas em faltas e, bem mais que antes, em arremessos laterais– e tendo mais sucesso com elas.

Levantamento de Michael Caley no site Expecting Goals mostra que a Premier League 25/26 registra alta marcante nos gols originados de bola parada (0,77 por partida) e queda nos que saíram de bola rolando (1,79 por partida) na comparação com as outras edições desta década.

Assim, três de cada dez gols são de jogadas preparadas. Parece pouco, porém ao olhar para trás é muito. E, no caso do Arsenal, mais ainda: 24 dos 59 gols feitos pela equipe em 30 jogos, ou 41%, saíram desse modo.

Perguntas: é uma mudança passageira ou veio para ficar? Equipes mundo afora dedicarão tempo extra de treino à bola parada, colocando em prática o treinado nas partidas?

Tem gente dentro da própria Premier League que espera que não. “Meu coração boleiro desgosta”, disse Arne Slot, técnico do Liverpool, o atual campeão inglês, expondo sua aversão à batalha física na área que angaria simpatizantes e flerta com o protagonismo.

O holandês cita como exemplo de futebol atrativo o “Barcelona de 10, 15 anos atrás”. Messi, Xavi, Suárez, Iniesta, Neymar. Técnica, dribles, criatividade, tabelas, toque de bola. Pelota em movimento, não estática.

Estou com Slot. Compadeço-me. E rendo-me, meio pesaroso, à nova tendência.

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