Estupro coletivo no Rio: MP-RJ não viu necessidade de internação de adolescente, diz delegado
Estupro coletivo no Rio: adolescente é apontado como responsável por atrair vítima para apartamento
Um adolescente, que também teria participado das agressões sexuais, é alvo de uma representação do Ministério Público. A identidade dele não foi informada. Crédito: Câmeras de vigilância
Os quatro réus acusados pelo estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos, no Rio de Janeiro, estão presos após se apresentarem à polícia entre a última terça, 3, e esta quarta-feira, 4. O caso aconteceu no dia 31 de janeiro, em um apartamento em Copacabana.
Já o adolescente apontado pelas investigações como o articulador do esquema e responsável por atrair a vítima para a emboscada que terminou na violência sexual segue em liberdade.
Um ato infracional foi registrado contra ele, mas o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) não pediu a sua internação em uma unidade socioeducativa, conforme solicitado pela polícia.
De acordo com o delegado que está à frente das investigações, Ângelo Lages, a polícia entrou com uma representação pela internação do adolescente e fez também um pedido de busca e apreensão contra o menor para ter acesso ao celular e outros aparelhos.
O MP-RJ, no entanto, não viu necessidade da internação sob o argumento de que o adolescente não tinha passagem pela polícia, disse Lages à reportagem.
“A gente entendeu que era necessário entrar com uma representação (para internação) porque entendemos que ele era o mentor intelectual do crime e o MP não viu necessidade. Mas, no fim das contas, quem decide é o magistrado”, disse Lages.

Polícia investiga caso de estupro coletivo em Copacabana Foto: Reprodução
O posicionamento do Ministério Público também foi alvo de críticas por parte da defesa da adolescente de 17 anos que foi vítima do estupro coletivo.
“É estarrecedor ver o mesmo Ministério Público do RJ, que costuma pedir até internação de menores de favela que portavam 2 trouxinhas de maconha (sem praticar violência alguma), dizer que um adolescente classe média acusado de organizar um estupro coletivo contra uma menina não precisa ser internado. Dois pesos, duas medidas e um grande descaso com o que deve ser prioritário”, escreveu o advogado Rodrigo Mondego.
Em nota, o MP informou que, em relação ao adolescente investigado por participação nos fatos, “representou para que ele responda por ato infracional análogo ao crime investigado” e não descartou que “eventuais medidas cautelares podem ser requeridas no decorrer da investigação”. No entanto, o órgão afirma que não solicitou a “internação provisória” do jovem.
“Quanto ao pedido de medida urgente apresentado pela autoridade policial no plantão judiciário, a manifestação do promotor de plantão foi no sentido de que a análise do caso não configurava hipótese de apreciação em regime de plantão, devendo ser submetida ao juízo natural responsável pelo processo”, acrescentou o MP-RJ no comunicado.
Na terça-feira, os réus Mattheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, de 19 anos, se apresentaram à polícia. Nesta quarta-feira, Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonim também se entregaram.
Simonim é filho de José Carlos Costa Simonim, que ocupava o cargo de subsecretário de Governança, Compliance e Gestão Administrativa do Governo do Rio, órgão vinculado à pasta estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. O subsecretário foi exonerado do cargo após o episódio.
Os quatro adultos responderão pelo crime de estupro, enquanto o adolescente, por ato infracional análogo ao mesmo crime. A defesa de Simonim e a de Bertho alegaram que houve consentimento por parte da vítima ao se relacionar sexualmente com mais de um homem ao mesmo tempo. A reportagem busca a defesa dos demais envolvidos.
Após o caso do estupro coletivo vir à tona, outras duas adolescentes apresentaram denúncia e informaram terem sido alvo de violência sexual praticada por alguns dos investigados.
Um dos casos aconteceu em 2023, quando a vítima tinha 14 anos. Segundo o delegado Ângelo Lages, a forma de agir dos envolvidos na época foi muito semelhante à do caso registrado neste ano: o mesmo adolescente atrai a vítima para um apartamento, onde outros agressores praticam o abuso.
De acordo com os relatos, Mattheus Martins também estaria envolvido neste episódio e a polícia apura se João Gabriel Xavier Bertho também teria participado das agressões.
A outra denúncia apresentada à polícia informou que Vitor Hugo Oliveira Simonim teria abusado de uma jovem durante uma festa da escola em outubro do ano passado. Neste caso, o agressor teria agido sozinho, segundo as investigações. Ambos os casos ainda estão em apuração.



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