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G7 discute liberar reservas estratégicas de petróleo após disparada dos preços

G7 discute liberar reservas estratégicas de petróleo após disparada dos preços

Os ministros de Finanças do G7 devem discutir nesta segunda-feira (9) uma possível liberação conjunta de reservas de petróleo, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, enquanto a guerra no Oriente Médio estrangula o fluxo de petróleo da região e faz os preços dispararem.

A França — que atualmente ocupa a presidência do G7 — iniciou os planos para a teleconferência, marcada para cerca de 13h30 em Paris (8h30 em Brasília), disseram as fontes, que pediram anonimato por se tratar de deliberações privadas. O governo francês afirmou em comunicado que o uso de reservas estratégicas está sendo considerado.

O Financial Times foi o primeiro a noticiar a reunião e disse que os Estados Unidos apoiam a ideia de liberar reservas de petróleo de forma conjunta. As pessoas familiarizadas com o tema alertaram, no entanto, que nenhuma decisão foi tomada até agora. A medida seria coordenada com a Agência Internacional de Energia (IEA), sediada em Paris, segundo uma das fontes.

Liberações coordenadas de estoques estratégicos ocorreram apenas cinco vezes no passado, sendo duas delas em resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Antes disso, as reservas foram utilizadas após interrupções no fornecimento na Líbia, durante o furacão Katrina e na época da Primeira Guerra do Golfo.

O petróleo Brent saltou para quase US$ 120 por barril na segunda-feira, ante cerca de US$ 72 antes da guerra, já que o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz bloqueou praticamente as exportações dos produtores do Golfo Pérsico. Várias grandes produtoras, incluindo Emirados Árabes Unidos e Iraque, já foram obrigadas a reduzir a produção por falta de capacidade de armazenamento, enquanto a Arábia Saudita corre para desviar cargas para o Mar Vermelho.

A notícia sobre a possível liberação de reservas ajudou a reduzir parte da alta dos preços, e o Brent recuava para perto de US$ 107 por barril às 9h45 (CET).

Duas das fontes disseram que alguns países europeus estão preocupados com a possibilidade de os Estados Unidos também pressionarem por um afrouxamento das sanções ao petróleo russo, justamente quando a economia de Moscou começa a mostrar sinais de forte pressão.

O governo Trump já concedeu uma isenção para que a Índia compre petróleo russo armazenado em navios, e indicou que mais sanções poderiam ser suspensas. Os EUA não sinalizaram claramente suas intenções aos aliados europeus nos últimos dias, acrescentaram as fontes.

O Financial Times citou uma fonte dizendo que alguns funcionários americanos acreditam que uma liberação conjunta entre 300 milhões e 400 milhões de barris — cerca de 25% a 30% das reservas totais de 1,2 bilhão de barris — seria apropriada. Todas as opções estão sobre a mesa, segundo um funcionário da IEA que também pediu anonimato.

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse a jornalistas nesta segunda-feira que os líderes do G7 também podem realizar uma ligação nesta semana para discutir a situação energética.

Cortes nas refinarias

Consumidores ao redor do mundo já sentem o impacto das interrupções no Oriente Médio, com longas filas em postos de combustível e uma disparada nos preços do querosene de aviação, elevando o custo das passagens aéreas. Muitas refinarias asiáticas dependentes do petróleo do Oriente Médio foram forçadas a reduzir suas taxas de operação enquanto tentam encontrar suprimentos alternativos.

Até sexta-feira, autoridades do governo Trump e da IEA ainda afirmavam que não havia uma liberação iminente de reservas. O diretor do Conselho Econômico Nacional dos EUA, Kevin Hassett, disse que não havia sinais de que isso aconteceria tão cedo, enquanto o diretor-executivo da IEA, Fatih Birol, afirmou que um “grande excedente” no mercado global de petróleo tornava essa medida desnecessária.

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