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BRK Ambiental avalia adiar IPO em meio a piora de cenário

BRK Ambiental avalia adiar IPO em meio a piora de cenário

A BRK Ambiental, que havia iniciado discussões preliminares para uma oferta pública inicial de ações, está considerando adiar sua estreia em meio a uma piora nas condições de mercado por conta dos conflitos no Oriente Médio, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A companhia é uma das maiores empresas de saneamento do Brasil, atendendo cerca de 16 milhões de pessoas em mais de 100 municípios. A BRK é controlada pela Brookfield Asset Management e pelo FI-FGTS e tinha como meta levantar cerca de R$ 4 bilhões na oferta, disseram as pessoas, que não estão autorizadas a falar publicamente sobre o assunto.

Entre os fatores contrários ao IPO estão o selloff generalizado nos mercados globais em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, bem como questões específicas da companhia após sua recente vitória no leilão de concessão no estado de Pernambuco, disseram as pessoas.

A BRK afirmou que não houve mudanças em sua estratégia ou nos preparativos para um IPO. A empresa disse à Bloomberg que continua em negociações com o mercado, levando em consideração as condições macroeconômicas, entre outros fatores.

Os investidores aguardavam com expectativa a primeira oferta primária de ações no Brasil desde 2021, com o Banco Central sendo esperado para iniciar um ciclo de afrouxamento monetário em março. Mas, após um início de ano forte, o índice Ibovespa caiu 5% na semana passada, seu pior desempenho semanal desde 2022. Os mercados acionários globais têm enfrentado volatilidade diante das preocupações dos investidores com a guerra no Irã e o impacto da alta do petróleo sobre a inflação.

“No Brasil, os investidores estavam se planejando para fazer ofertas no fim do 1T26 ou 2T26, após o início do ciclo de corte de juros e antes da eleição virar o principal assunto. Contudo, o conflito no Irã pode acabar fechando essa janela curta antes das eleições”, disse Fernando Siqueira, chefe de análise da Eleven Financial. As eleições presidenciais no Brasil serão realizadas em outubro.

Oriente Médio

O conflito no Oriente Médio impactou parte das apostas de cortes de juros no país, com operadores reduzindo expectativas diante do temor de uma possível alta da inflação. Embora o mercado ainda espere amplamente que a autoridade monetária inicie o ciclo de afrouxamento na próxima semana, os contratos de juros agora apontam para um corte de 25 pontos-base, segundo dados de segunda-feira.

Recentemente, duas empresas brasileiras viram suas ações caírem após abrirem capital nos Estados Unidos, em meio ao apetite mais fraco dos investidores e à turbulência nos mercados. O PicPay, aplicativo de banco digital controlado pela holding de investimentos da família Batista, acumulava queda de 26% até o fechamento de sexta-feira, enquanto as ações da AGI — conhecida como Agibank — recuavam mais de 12% desde seu IPO.

A rival Aegea Saneamento e Participações segue em conversas com investidores sobre uma potencial oferta de ações que poderia ocorrer até meados do ano, possivelmente em paralelo à privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais, a Copasa, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

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