E se o Irã não for à Copa? – 13/03/2026 – Marina Izidro
No sorteio das chaves da Copa do Mundo, a Fifa deu ao presidente dos Estados Unidos um Prêmio da Paz. Ganhou em troca um problemão por causa de uma guerra iniciada justamente por Donald Trump.
Será que Gianni Infantino pensa na ironia de sua escolha, ou tem saudades de quando a grande polêmica da próxima Copa era o fato de ter sido expandida para 48 seleções?
A três meses do Mundial, o presidente da Fifa pode estar diante de um problema raro: o boicote de uma seleção classificada. Desistências, banimentos, interferência da política no esporte fizeram parte da história do torneio. Mas não há precedentes recentes para esse tipo de situação, tão em cima da hora.
O ataque de Estados Unidos e Israel ao Irã completa duas semanas. Agora, a participação da seleção iraniana está em risco. O ministro dos Esportes do país disse que a seleção não vai à Copa. O presidente da Federação de Futebol –que oficialmente tem a palavra final– fez ameaça semelhante.
Trump primeiro havia dito que não estava nem aí se o Irã não fosse, mas que os jogadores eram bem-vindos (torcedores não, porque o Irã é um dos países que estão em uma lista cujos cidadãos estão proibidos de entrar nos Estados Unidos). Depois falou que, pensando na vida deles, e por segurança, seria melhor que nem fossem. A seleção iraniana respondeu dizendo que quem deveria ser excluído eram os Estados Unidos. A troca de farpas continua.
Não ficou claro se a “preocupação” de Trump era com os atletas dentro dos Estados Unidos ou quando voltassem para casa. Se for a primeira opção, demonstra a extrema incompetência do país-sede e uma reação quase inédita de um anfitrião de Copa: o desdém com o bem-estar dos jogadores.
Mas, se o Irã realmente desistir, quem entra no lugar?
O regulamento da Fifa para a Copa diz que a entidade tem autonomia para escolher o substituto, ou seja, não precisaria ser uma seleção do mesmo continente. Mas faz sentido que seja, e imagino que não queiram complicar ainda mais as coisas.
Como o Irã se classificou através das Eliminatórias asiáticas, o candidato mais provável seria o Iraque, que disputa neste mês os playoffs que definem as últimas vagas para a Copa. Caso se classifique, os Emirados Árabes seriam os próximos da fila. Mas isso se o Iraque viajar ao México para jogar, o que, hoje, não é possível. A seleção iraquiana teve que cancelar treinos nos Estados Unidos e pediu que a Fifa adie o jogo. Ainda não houve resposta.
Independentemente de quão sanguinário seja o regime do Irã, ou de que lado se esteja nesta guerra, é dever de quem organiza um grande evento esportivo garantir a segurança de todos os que viajam para o país-sede. Caso isso não seja possível, a organização que rege a competição, no caso, a Fifa, deveria se posicionar e pensar em um plano B. Isso vai acontecer? Dado o histórico de Infantino de agradar Trump, claro que não.
Às vésperas desta Copa extremamente politizada, por enquanto a estreia do Irã segue marcada para o dia 15 de junho, em Los Angeles, contra a Nova Zelândia. Eles ainda jogam na fase de grupos contra Bélgica e Egito. E como não há nada tão ruim que não possa piorar, caso Irã e Estados Unidos terminem em segundo lugar em seus respectivos grupos, se enfrentam na fase seguinte.
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