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Fifa prepara fiscalização de direitos autorais na Copa – 05/05/2026 – Esporte

Fifa prepara fiscalização de direitos autorais na Copa – 05/05/2026 – Esporte

Quando a Itália avançou para as semifinais da Copa do Mundo de 2006, Rocco Mastrangelo Jr. mobilizou o restaurante italiano de sua família em Toronto para receber uma casa cheia de torcedores para a partida emocionante.

Ele imprimiu milhares de panfletos, comprou anúncios de rádio e instalou um outdoor perto de uma importante estação de metrô para anunciar a transmissão da semifinal no Café Diplomatico, seu restaurante e bar.

Poucas horas antes do início da partida, representantes da Fifa (Federação Internacional de Futebol), organizadora do torneio, ameaçaram processar Mastrangelo por violação de direitos autorais —a menos que ele retirasse tudo.

“E foi o que eu fiz”, disse Mastrangelo. A Itália venceu. E uma luz se acendeu: ele daria outro nome às festas para assistir aos jogos.

“Foi assim que nasceu o ‘Cafe Dip Soccer Headquarters'”, disse ele, referindo-se a uma abreviação do nome do restaurante. “Tive que me adaptar e criar minha própria marca.”

Com a Copa do Mundo chegando a Toronto este ano, haverá ainda mais atenção voltada para estabelecimentos como o dele e em outras 15 cidades-sede no Canadá, nos Estados Unidos e no México quando o torneio começar em 11 de junho.

Equipes esportivas e organizações atléticas, como a Fifa, o COI (Comitê Olímpico Internacional) e outras, são agressivas na proteção de seus direitos autorais porque seus nomes, logotipos e marcas são considerados ativos comerciais.

Patrocinadores podem pagar milhões pelo direito exclusivo de se associarem aos eventos.

Os direitos de marketing são a segunda maior fonte de receita da Fifa, depois dos direitos de transmissão televisiva, gerando US$ 965 milhões (R$ 4,8 bilhões) em 2025, segundo os registros financeiros da organização.

Toronto e Vancouver, na Colúmbia Britânica, onde serão disputados 13 jogos da Copa do Mundo, estão se preparando para a aplicação rigorosa das regras de propriedade intelectual, principalmente em estabelecimentos como restaurantes e bares. A Fifa conta com voluntários, advogados e funcionários para garantir a proteção de sua marca.

“Infelizmente, a maioria deles não poderá exibir as palavras ‘Fifa’ ou ‘Copa do Mundo’ em seus quadros-negros ou em qualquer outro lugar”, disse Josh Matlow, vereador de Toronto. “Será necessário usar alguma linguagem codificada”, acrescentou, comparando o local a um bar clandestino.

Os direitos autorais também se aplicam em outros idiomas; por exemplo, em francês, para “Mondial” ou “Coupe du Monde”, e em espanhol, para “Mundial” ou “Copa Mundial”.

Os estabelecimentos comerciais canadenses também serão amplamente monitorados por agentes municipais, que patrulharão uma “área controlada”, um raio de 1,9 km ao redor do estádio de futebol em cada cidade.

Toronto mobilizará cerca de 60 desses agentes nos dias de jogos, disse Russell Baker, porta-voz da cidade. Os agentes também fiscalizarão a venda ambulante ilegal, o estacionamento irregular e as reclamações de ruído.

Em Vancouver, os fiscais farão cumprir a remoção de placas comerciais não autorizadas durante toda a Copa do Mundo, disse Elayne Sun, porta-voz do comitê organizador da Copa do Mundo na cidade.

O trabalho começará em 13 de maio, cerca de um mês antes do torneio, e vai até 20 de julho.

Ron MacGillivray, proprietário do Fable Diner & Bar em Vancouver, espera evitar a fiscalização dos agentes pendurando bandeiras internacionais como decoração e placas com frases genéricas como “Assista Futebol Aqui” ou “Assista aos Jogos Aqui”.

“Você pode se divertir com isso, fazer de forma irônica”, disse MacGillivray. “Vai chamar mais atenção. Todo mundo vai ser bombardeado com ‘Copa do Mundo da Fifa’ conforme a data se aproxima.”

O Sneaky Dee’s, um bar descolado e tradicional do centro de Toronto, exibirá a “Global Kickball Cup” em suas televisões. Pelo menos, é o que dirão suas placas e postagens nas redes sociais.

“Estávamos apenas pensando em diferentes nomes que poderíamos dar ao local”, disse George Diamantouros, proprietário do Sneaky Dee’s.

Ele é particularmente sensível à questão depois de ter sido advertido sobre violação de direitos autorais pelo Toronto Blue Jays durante a World Series do ano passado.

“Obviamente, vamos divulgar que estamos transmitindo jogos aqui, mas preferimos pecar pelo excesso de cautela”, disse Diamantouros.

Proprietários privados também podem impor multas ou tomar medidas mais extremas contra inquilinos comerciais se problemas de violação de direitos autorais levarem a qualquer quebra de contrato de locação, disse Arman Poushin, advogado imobiliário e ávido fã de futebol em Toronto, que tem acompanhado o assunto.

Embora bem versado em conformidade com direitos autorais após seu fiasco em 2006, Mastrangelo ainda não viu nenhum “policial da Fifa”, como ele mesmo disse, aparecer no restaurante.

Mas ele está frustrado com o fato de a organização ter tanto poder para ditar as atividades dos torcedores por meio de seu acordo com a cidade anfitriã.

“É como se a Fifa fosse Deus e a cidade fosse Jesus”, disse Mastrangelo.

A Fifa não respondeu ao pedido de comentário.

A possibilidade de assistir aos jogos em espaços públicos será importante, já que a maioria dos torcedores provavelmente não terá condições de comprar ingressos, disse Jean-Sébastien Roy, vice-presidente do Voyageurs, um fã-clube não oficial da seleção canadense.

Isso fez com que torcedores como ele se mostrassem menos dispostos a ceder às exigências da Fifa.

“Vamos respeitar as diretrizes que a Fifa estabeleceu”, disse ele. Mas, acrescentou, “Vamos chamar de Copa do Mundo porque é a Copa do Mundo”.

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