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Time indígena estreia profissionalmente no Brasil – 06/05/2026 – Esporte

Time indígena estreia profissionalmente no Brasil – 06/05/2026 – Esporte

De uma aldeia no litoral do estado do Rio de Janeiro, indígenas fundaram um time de futebol profissional formado por jogadores de todo o Brasil, transformando a quinta divisão do campeonato estadual em uma nova frente na luta por representatividade.

O objetivo do Originarios, o primeiro time totalmente indígena a competir em um campeonato oficial de futebol no Rio, vai muito além de marcar gols.

“A ideia inicial era formar o time e jogar o campeonato. Não para sermos campeões, mas para dar visibilidade a um povo que sofre muito, defendendo diretamente sua terra”, disse o presidente do clube, Tupa Nunes, cacique da aldeia Mata Verde Bonita, lar do povo indígena Guarani Mbya.

“Desde jovem, eu acreditava que, jogando um futebol excelente, um futebol bonito, um futebol bem jogado, você pode quebrar os corações de pedra daqueles que não conseguiram entender o seu sonho, o seu projeto, o seu povo”, acrescentou.

Os povos indígenas, que representam 0,8% da população do Brasil, são desproporcionalmente afetados pela violência. Pesquisas mostram que centenas de indígenas são mortos todos os anos em disputas de terras no Brasil.

O técnico Huberlan Silva disse que montar o elenco exigiu uma busca ativa por talentos indígenas em todo o país.

“Onde quer que eu saiba que existe uma comunidade indígena, eu ligo para descobrir onde há talento escondido, alguém que não teve a oportunidade e que, vindo para cá, pode se tornar um atleta profissional de alto rendimento”, disse Silva.

Muitos jogadores vieram de milhares de quilômetros de distância, do interior da floresta amazônica, para se juntar aos Originários.

As partidas são uma oportunidade para o atacante Edilson Karai Mirim, artista gráfico da aldeia Mata Verde Bonita, mostrar a cultura do povo Guarani através da pintura corporal. “Significa muito para mim porque representa meu povo e minha história”, disse ele.

O sonho é levar a luta por representatividade além do campeonato carioca.

Nunes sonha em ver suas “águias guerreiras”, a ave estampada na camisa do clube, voarem mais alto, alcançando grandes clubes no Brasil, na Europa e talvez até a seleção nacional.

“Quero ver jogadores do Originarios abrindo portas para jogar no Flamengo, Botafogo, Fluminense, outros times brasileiros ou na Europa”, disse ele. “Mas também quero chegar à seleção brasileira.”

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