Henry Borel: ‘Prazer em infligir dor em crianças’, diz psiquiatra sobre Jairinho no 3º dia de Júri
RIO – O psiquiatra Rafael Bernardon, uma das testemunhas de acusação no júri sobre a morte do menino Henry Borel, de 4 anos, afirmou nesta quarta-feira, 27, que o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, apresenta um padrão de “infligir dor em crianças”.
Após mais de dez horas de sessão nesta terça-feira, 26, e apenas duas testemunhas ouvidas, o julgamento de Jairinho e Monique Medeiros, entrou no terceiro dia de depoimentos no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Rio de Janeiro.
“Há um padrão de abuso infantil por parte do réu, um padrão de prazer em infligir dor em crianças”, disse o psiquiatra.

O ex-vereador Jairo de Souza Santos Junior, o Dr. Jairinho Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Bernardon reforçou a tese apresentada em um parecer anexado ao processo de que Jairinho tem um perfil “egocêntrico, narcisista e sádico” e que o ex-parlamentar sentia prazer nos atos de violência praticados contra as ex-companheiras e seus filhos.
“Embora seja uma análise subjetiva minha, eu tive essa percepção e interpretação”, afirmou durante questionamentos feitos do Ministério Público.
O ex-vereador chegou a interromper a fala do psiquiatra para dizer que a declaração representava uma interpretação de Bernardon.
Já a defesa de Jairinho pretende usar um parecer técnico psiquiátrico para rebater a avaliação de Bernardon. Os advogados contrataram uma perícia independente do psiquiatra Hewdy Lobo, conhecido por atuar nos casos de Suzane von Richtofen e Flordelis.
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Além de Bernardon, devem ser ouvidos nesta quarta o perito Luís Carlos Leal Prestes e a médica do Barra D’Or Maria Cristina de Souza Azevedo. No segundo dia, apenas duas testemunhas prestaram depoimentos: os delegados Edson Henrique Damasceno e Ana Carolina Medeiros, responsáveis pela investigação da morte de Henry.

Jairinho e Monique Medeiros são acusados pela morte do menino Henry Borel Foto: Divulgação/Polícia Civil do Rio de Janeiro
Durante a sessão, a juíza Elizabeth Machado Louro advertiu a defesa de Jairinho por estender a oitiva das testemunhas e afirmou que, se mantido o ritmo do processo, o julgamento poderia durar um mês.
“Parece que estou em universo paralelo, uma hora dessas e vocês discutindo máxima importância?”, criticou a juíza.
Ao todo, 27 testemunhas de acusação e defesa serão ouvidas. A expectativa é de que o julgamento dure de cinco a sete dias no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Fórum Central do Rio.



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