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Como um jovem de 27 anos sobreviveu após ficar 5 dias perdido em trilha no Morro Pelado, em SC

Como um jovem de 27 anos sobreviveu após ficar 5 dias perdido em trilha no Morro Pelado, em SC

Perdido em uma área de mata fechada, sem comida, sem abrigo e sem saber exatamente onde estava, o trilheiro Ezequiel Marcos Ferreira, de 27 anos, passou quase uma semana desaparecido no Morro Pelado. Localizado na Serra Dona Francisca, em Joinville, região é um dos destinos procurados por praticantes de trilhas e turismo de aventura.

A área, que integra uma Área de Proteção Ambiental (APA), reúne trechos de Mata Atlântica, vegetação densa, terrenos íngremes e cursos de água. Ferreira foi encontrado neste domingo, 31, por um vigilante terceirizado que trabalha na Estação de Tratamento de Água (ETA). Cerca de 15 minutos depois, a aeronave do Corpo de Bombeiros chegou ao local.

De acordo com os bombeiros, ele estava consciente e orientado, mas apresentava sinais de hipotermia, desidratação, cianose (hematomas roxos) e vários ferimentos leves pelo corpo.

 Como um jovem de 27 anos sobreviveu após ficar 5 dias perdido em trilha no Morro Pelado, em SC

Jovem de 27 anos é resgatado após ficar 5 dias perdido em zona de mata em SC. Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros

“Ele conseguiu chegar a uma estação de tratamento de água. Foi bastante esperto nesse sentido porque, quando percebeu que estava perdido, começou a seguir o curso do rio até chegar na estação”, disse o tenente Runan Aguirre Suares, do Corpo de Bombeiros de SC.

Depois de receber os primeiros atendimentos, Ezequiel foi encaminhado de helicóptero ao Hospital Municipal São José, em Joinville. Ele recebeu alta na noite de domingo.

A família acompanhou cada etapa da operação com apreensão. “Ninguém dormia, comia ou trabalhava direito. Todo mundo estava desesperado”, contou a tia dele, Susana de Lima. Ela afirma que a família nunca perdeu a esperança de reencontrá-lo. “Sabíamos que, de um jeito ou outro, ele ia aparecer. Foi inexplicável. Choro, gritaria, meu Deus. Ele nasceu de novo, teve uma segunda chance”, disse.

Já em casa, Ezequiel tenta se recuperar física e emocionalmente da experiência. Segundo a tia, ele ainda está assimilando tudo o que viveu. “Ele está bem debilitado, desidratado, com ferimentos pelo corpo. Teve muitas assaduras nas pernas. Ainda está tentando entender tudo o que aconteceu.”

 Como um jovem de 27 anos sobreviveu após ficar 5 dias perdido em trilha no Morro Pelado, em SC

Ezequiel Marcos Ferreira, de 27 anos, ficou quase uma semana desaparecido em morro de Joinville e saiu da mata sozinho. Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros

Buscas com helicóptero e cães farejadores

As buscas começaram na terça, 26, um dia após o desaparecimento do rapaz. Os trabalhos tiverem a participação do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC), Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville, Grupo de Resgate em Montanha (GRM), equipes com cães farejadores, drones equipados com câmeras térmicas e até apoio aéreo.

Ferreira tinha levado mantimentos suficientes para apenas um dia e deveria retornar para casa ainda naquela data. A motocicleta que ele usa para trabalhar foi encontrada próxima à entrada da trilha ainda no início das buscas.

“O maior desafio foi não conhecer exatamente a área, que é bem grande, ampla. Tem muitas trilhas e várias bifurcações. Então, a equipe do Corpo de Bombeiros Militar e de bombeiros voluntários não conheciam muito bem a área. Quem conhecia mais era o GRM”, explicou o tenente Runan Aguirre Suares.

Em um dos momentos da operação, cães farejadores apresentaram alterações comportamentais em uma área considerada de interesse, que também coincidia com a região onde havia sido registrado o último sinal conhecido do celular do trilheiro.

Estratégia de sobrevivência

Segundo os bombeiros, a decisão tomada por Ferreira de seguir o curso de um rio após se perder foi fundamental para que ele conseguisse sobreviver.

Em janeiro deste ano, estratégia similar também garantiu o resgate de Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, após quatro dias desaparecido em uma trilha no Pico Paraná, ponto mais alto da região Sul do Brasil.

Roberto conseguiu sobreviver ao seguir o curso de um rio. Depois de caminhar por dias em meio à mata, ele chegou a uma fazenda localizada em uma área rural e conseguiu pedir ajuda.

Nos dois casos, a estratégia acabou levando os trilheiros para áreas com maior chance de presença humana. Embora especialistas alertem que cada situação exige avaliação específica, seguir cursos d’água pode aumentar as chances de encontrar estradas, propriedades rurais, pontes ou estruturas utilizadas por pessoas.

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