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Em votação relâmpago, Senado aprova decreto que dificulta aborto legal em crianças

Em votação relâmpago, Senado aprova decreto que dificulta aborto legal em crianças

 Em votação relâmpago, Senado aprova decreto que dificulta aborto legal em crianças

Senadora Damares Alves é a relatora do projeto que susta norma do Conanda sobre aborto em crianças e adolescentes.  Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Em uma sessão remota que durou 1 minuto e 40 segundos, o Senado aprovou nesta terça-feira, 2, o projeto de decreto legislativo (PDL) que dificulta a realização do aborto legal em crianças.

O PDL, de autoria da deputada Chris Tonietto (PL-RJ) e relatada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), suspende uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), que determinava que menores de 14 anos poderiam realizar aborto em qualquer mês da gestação, quando a gravidez fosse decorrente de estupro, quando representava risco à vida da pessoa gestante e que fosse identificada a anencefalia fetal.

Entre as ações previstas na resolução do Conanda, que foi derrubada pelo Senado, destacavam-se o treinamento de profissionais para identificar situações de violência sexual e a garantia de um atendimento rápido, sigiloso e livre de preconceitos. A norma reforçava a prioridade absoluta do interesse da vítima, garantindo a discrição, autonomia e o direito de ser ouvida sem sofrer novas violências pelas instituições.

No entanto, o projeto aprovado nesta terça, 2, suspende os efeitos da resolução do Conanda. Segundo a senadora Damares Alves, a resolução ultrapassa os limites das atribuições do conselho ao disciplinar temas que dependem de deliberação legislativa. Damares argumentou que o Conanda “foi criado para formular diretrizes e acompanhar políticas públicas voltadas à infância e à adolescência, mas não para criar direitos, restringir prerrogativas previstas em lei ou redefinir regimes jurídicos estabelecidos pelo Congresso Nacional”.

O Conanda é o principal órgão colegiado do Brasil encarregado de elaborar, coordenar, orientar e fiscalizar as políticas públicas voltadas para a proteção integral de crianças e adolescentes. O conselho é vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e conta com membros do governo e da sociedade civil.

Como o projeto aprovado nesta terça é um decreto legislativo, a medida já entra em vigor, sem necessidade de sanção da Presidência. O texto já havia sido aprovado pela Câmara no ano passado. E, nesta tarde, foi aprovado pela Comissão de Direitos Humanos do Senado. Em menos de 5 minutos, foi levado para a votação no plenário. A sessão estava esvaziada, não houve debate entre os parlamentares e a votação foi simbólica. Não houve o registro dos votantes. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania ainda não se pronunciou sobre o assunto./COM INFORMAÇÕES DA AGÊNCIA SENADO

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