Monique nega que babá tenha avisado sobre agressões de Jairo a Henry: ‘Eu não sabia de nada’
RIO – Acusada de homicídio por omissão contra o próprio filho, Monique Medeiros negou nesta terça-feira, 2, que tenha sido avisada pela babá Thayná de Oliveira Ferreira, sobre as agressões do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, contra Henry Borel, de 4 anos.
“Ela não me contou em momento nenhum que meu filho tinha sofrido qualquer tipo de agressão, de tortura, de nada. Ela não me contou, excelência. Ela não me contou. E ela falou aqui que contou no mesmo dia para mim. Isso é mentira. Ela não me contou. Ela não estava me contando qualquer coisa”, afirmou Monique em depoimento no II Tribunal do Júri no Rio de Janeiro.

Monique Medeiros e advogados de Jairinho no Tribunal do Júri Foto: TJRJ via Youtube
Em depoimento neste domingo, 31, Thayná relatou ter presenciado ao menos três episódios em que Jairinho levou Henry para um quarto, permaneceu sozinho com ele por algum tempo e, depois, a criança reclamou de dores ou apresentou sinais de agressões.
A babá contou que teria avisado a mãe do menino sobre as agressões de Jairo ao menino. Monique nega. Segundo a professora, em nenhum momento suspeitou que o então namorado teria agredido o filho.
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“Naquela época não tinha nada contra o Jairo. Como eu ia saber, como eu ia descobrir. Para mim, ele era um médico, ex-vereador. Eu confiava no Jairo. Não imaginava que ele pudesse fazer algo com o Henry. Era sempre escondido, quando eu não estava perto”, afirmou Monique.
No depoimento, Monique leu mensagens que trocou com a babá no dia 12 de fevereiro de 2021, menos de um mês antes da morte da criança. Thayná relata, minuto a minuto, o que teria sido um dos episódios de agressão de Jairo ao menino.
A babá conta que Jairo teria entrado para um quarto com Henry e que o menino teria mudado o comportamento após sair do ambiente. Na conversa, Monique demonstra preocupação com o episódio, questiona o que estaria ocorrendo, mas Thayná diz que a criança não relatou nenhuma agressão.
O dia da morte
Segundo Monique, Jairo sempre lhe dava remédios para dormir e começou a reparar, às vezes, que tinha um “pozinho na bebida” dela. No dia da morte de Henry, ela conta que não se lembra se tomou remédio, mas que adormeceu muito rápido.
“Quando dá mais ou menos umas 3h30, 3h40 da manhã, o Jairo me acorda e ele fala assim: “Monique, Monique, eu ouvi um barulho, fui até o quarto, vi o Henry caído no chão”. Eu falei: “Mas o que que aconteceu”? Ele falou: “Eu acho que o Henry não está respirando bem”.
Ela conta que encontrou o filho no quarto, descoberto, com a barriga para cima e com “a mãozinha e o pé gelado”. Os dois decidem levar o menino ao hospital Barra D`or na Barra da Tijuca, na zona sudoeste do Rio.
Julgamento mais longo do Rio em 18 anos
O julgamento de Jairo e Monique já é o mais longo do Rio de Janeiro em 18 anos, desde que as regras do Tribunal do Júri foram alteradas em 2008. O caso supera o da ex-deputada Flordelis, condenada a 50 anos pela morte do marido, o pastor Anderson do Carmo.



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