Segundo encontro do ‘Brasil Adiante’ discute educação para a nova economia e financiamento da saúde
Estadão promove o ‘Brasil Adiante”, ciclo de debates para apresentar propostas ao País
Até agosto, especialistas debaterão medidas concretas contra os principais gargalos brasileiros. Crédito: Juliano Galisi
Como melhorar educação básica, formação de professores e requalificação profissional para aumentar produtividade, empregabilidade e inclusão. Como tornar sustentáveis o SUS e a saúde suplementar diante do envelhecimento acelerado da população, da pressão de custos e da dificuldade crescente de financiamento dos dois modelos.
Esses são alguns dos pontos que especialistas em Educação e Saúde vão discutir na quinta-feira, 11, no segundo encontro do Brasil Adiante, série de eventos promovida pelo Estadão nos meses que antecedem as eleições de outubro, para construir uma agenda integrada e executável de soluções para os primeiros 24 meses do próximo governo.
“Este segundo evento do projeto Brasil Adiante, com foco em Saúde e Educação, continua com o compromisso de transformar conhecimento em ação, ou seja, partir de diagnósticos conhecidos e entregar soluções viáveis para o Brasil. Reunimos especialistas, gestores e lideranças para discutir como mudar o que estamos cansados de saber que precisa mudar”, disse Eurípedes Alcântara, diretor de Jornalismo do Grupo Estado.
A curadoria do projeto é do executivo Fábio Barbosa, que elaborou três eixos de trabalho para os encontros, contemplando temas como saúde, educação, segurança pública, instituições, entre outros.
No primeiro encontro, que aconteceu em maio, o debate teve como foco a eficiência do sistema de Justiça, o avanço dos custos do Judiciário e os efeitos da baixa previsibilidade judicial sobre investimentos, ambiente de negócios e atividade econômica (veja como foi). Até agosto, serão realizados outros três encontros que discutirão temas como Segurança Pública e Crime Organizado, Produtividade, Infraestrutura e Sustentabilidade.
As soluções elaboradas serão consolidadas em um documento que será entregue em novembro ao vencedor das eleições presidenciais. A ideia é encaminhar uma agenda integrada e executável de soluções para os primeiros 24 meses do próximo governo.
Nesta quinta-feira, 11, o segundo encontro do Brasil Adiante terá dois painéis que tratam dos fundamentos de qualquer país que queira crescer com inclusão: a educação que prepara as pessoas para a economia que já mudou, e a saúde de uma população que envelhece.
Investimento em educação precisa ser realizado em políticas cujas evidências já mostraram melhora da aprendizagem, apontam especialistas. Foto: Tiago Queiroz/Estadão
O relatório anual mais recente da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Education at a Glance, mostra que o Brasil investe US$ 3,8 mil por aluno/ano na educação básica. Isso é menos do que gastam Argentina e Chile e um terço do que investem os países da OCDE.
Além da baixa cifra, o desafio do País é melhorar a qualidade dos investimentos. Isso significa, por exemplo, direcionar dinheiro para escolas de áreas mais vulneráveis e para os alunos com mais dificuldades.
Especialistas são unânimes em dizer que é preciso colocar mais dinheiro no ensino básico, mas é imprescindível que o investimento seja em políticas cujas evidências já mostraram melhora da aprendizagem.
“O próximo presidente deveria colocar a criança no centro como prioridade nas políticas públicas. Isso significa olhar para a educação a partir de uma perspectiva intersetorial, garantindo assim o desenvolvimento integral, a proteção, a saúde e a ampliação de oportunidades para todas as crianças e adolescentes. O principal desafio nisso é justamente enfrentar as profundas desigualdades que marcam a nossa sociedade, a infância brasileira e a educação”, diz Ana Claudia Leite, gerente de Educação do Instituto Alana.
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Ao longo das últimas décadas, países como Finlândia, Estônia, Coreia do Sul e Cingapura se tornaram exemplos, com modelos replicáveis com um ensino criativo, colaborativo, interdisciplinar, com solução de problemas e que forma cidadãos mais preparados para a sociedade atual.
“É preciso financiar adequada e estruturalmente a educação básica e superior, para podermos finalmente garantir acesso e dar um salto de qualidade, algo que um país emergente que é a 10.ª maior economia do mundo deveria garantir. Investir em educação estrutural de qualidade é o passo mais importante para impulsionar o desenvolvimento socioeconômico e, portanto, superar décadas de atraso”, destaca Andressa Pellanda, coordenadora da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e doutora em Ciências.
Saúde ainda enfrenta entraves antigos e persistentes
Na Saúde, o Brasil se vê diante de desafios como a sustentabilidade financeira do sistema, a eficiência do SUS e o envelhecimento populacional.
Como o Estadão mostrou, quase quatro décadas após a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil teve avanços importantes, como a redução da mortalidade infantil e o aumento da expectativa de vida, mas ainda enfrenta entraves antigos e persistentes, como o subfinanciamento das ações de saúde, as longas filas de espera por atendimento e a má distribuição de médicos.
Leito de UTI no Hospital Emílio Ribas; eficiência do SUS e envelhecimento populacional desafiam o sistema de saúde no Brasil. Foto: Daniel Teixeira/Estadão
Dados do IBGE já mostraram que o gasto público brasileiro em saúde é muito inferior ao de outros países com sistemas universais, como França e Reino Unido, o que traz dificuldades para o custeio da assistência, principalmente em um cenário de aumento de custos por conta do acelerado envelhecimento populacional e dos preços elevados de novos medicamentos e terapias.
O envelhecimento populacional e o alto custo dos tratamentos inovadores também têm pressionado a saúde suplementar. Levantamento da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostra que, enquanto o número total de clientes de planos de saúde cresceu 5,3% entre 2013 e 2023, o de idosos saltou 32,6%.
A avaliação de especialistas é a de que o Brasil não se preparou adequadamente para a mudança demográfica e epidemiológica. Faltam profissionais especializados, leitos em instituições de longa permanência (ILPIs) e centros-dia para receber essa população. O sistema de saúde precisa também estar melhor preparado financeiramente para cuidar de doentes crônicos por longos períodos.
Veja os detalhes e painéis do encontro
- Data: 11 de junho;
- Local: Espaço JK Eventos;
- Endereço: Rua Professor Atílio Innocenti, 780 – Itaim Bibi;
- Horário: Das 8h às 11h30;
- Onde assistir? Transmissão ao vivo nas plataformas do Estadão.
Painel 1: Educação: como preparar os brasileiros para um mercado de trabalho que já mudou?
Painelistas: Priscila Cruz, cofundadora e presidente-executiva do Todos Pela Educação, Denis Mizne, CEO da Fundação Lemann, e Jair Ribeiro, fundador do Parceiros da Educação e da Proz Educação. Mediação de Renata Cafardo, repórter especial e colunista do Estadão.
Painel 2: Quem vai pagar a conta do envelhecimento no Brasil?
Painelistas: Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central e cofundador do IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde), Gonzalo Vecina, sanitarista e professor da USP, Paulo Moll, CEO da Rede D’Or São Luiz. Mediação de Thaís Manarini, editora do Pulsa, hub multiplataforma de saúde e bem-estar do Estadão.
Veja o cronograma do Brasil Adiante
- 27 de maio: Encontro 1: Eixo I: Estabilidade Institucional e Fundamentos do Crescimento (veja como foi);
- 11 de junho: Encontro 2: Eixo II: Capital Humano e Coesão Social (Educação e Saúde);
- 23 de julho: Encontro 3: Eixo II: Capital Humano e Coesão Social (Segurança Pública e Crime Organizado);
- 19 de agosto: Encontro 4: Eixo III: Produtividade, Infraestrutura e Sustentabilidade;
- 27 de agosto: Encontro 5: Apresentação do documento consolidado, divulgação da agenda e fechamento do projeto;
- Novembro: Entrega da agenda de soluções ao presidente eleito.



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