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Brasil celebra na ONU os 20 anos da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência

Brasil celebra na ONU os 20 anos da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência

 Brasil celebra na ONU os 20 anos da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência

Mara Gabrilli, senadora, e Isadora Nascimento, secretária nacional da Pessoa com Deficiência, na ONU (NY/EUA). Foto: Divulgação.

O 20º aniversário da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da Organização das Nações Unidas (ONU), foi celebrado durante toda a semana passada, quando ocorreu a 19ª Sessão da Conferência dos Estados-Partes da Convenção (COSP19), em Nova Iorque (EUA). Oficialmente, o documento foi adotado em 13 de dezembro de 2006 e assinado em 30 de março de 2007. O Brasil se tornou signatário em 25 de agosto de 2009.

Atualmente, a única brasileira no comitê da Comissão que reúne peritos internacionais é a senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), com mandato até 2028, mas ela também participou dos eventos como representante do Senado em missão oficial com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), o que incluiu sessões plenárias, mesas-redondas, diálogos interativos e reuniões bilaterais com autoridades, especialistas e representantes da sociedade civil de diversos países. A parlamentar ainda é vice-presidente do Grupo de Trabalho da ONU sobre Meninas e Mulheres com Deficiência, que discutiu a elaboração de um guia de interseccionalidade voltado à construção de políticas públicas mais inclusivas para mulheres e meninas com deficiência, que deve ser lançado nos próximos meses para orientar governos e organismos internacionais sobre como enfrentar as múltiplas formas de discriminação que atingem mulheres com deficiência em diferentes contextos sociais.

Mara defendeu o fortalecimento das políticas de cuidado e apoio às famílias de pessoas com deficiência, tema que, diz a senadora, esteve entre os mais relevantes dos debates realizados durante a COSP19. “O cuidado continua recaindo majoritariamente sobre mulheres, muitas vezes sem o suporte adequado do Estado. Garantir autonomia e vida independente para pessoas com deficiência exige também investir em políticas públicas que apoiem quem cuida”.

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Janine Mello (de óculos), ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, e Isadora Nascimento (mulher negra com deficiência visual), secretária nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência. Foto: Divulgação / MDHC.

Governo – A atual ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, a secretária nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Isadora Nascimento, participaram do debate geral da conferência, que teve como tema central “A CRPD aos 20 anos: celebrando e consolidando conquistas e moldando a próxima fase de implementação em um mundo em transformação”.

No evento “Digital and Web Accessibility: Inclusion and Development for All People”, organizado pela delegação brasileira, que reuniu representantes de governos, organismos internacionais, academia, setor privado e sociedade civil para discutir estratégias capazes de ampliar o acesso das pessoas com deficiência à informação, aos serviços públicos e à participação social em uma sociedade cada vez mais digitalizada, o MDHC apresentou a plataforma AMAWeb ( ferramenta pública de avaliação, monitoramento e promoção da acessibilidade digital, desenvolvida a partir de uma parceria entre a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e o Ministério Público Federal (MPF).

A Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNDPD) lançou ainda uma ação institucional voltada ao enfrentamento do estigma e da discriminação contra pessoas atingidas pela hanseníase, que integra o conjunto de medidas de reparação individual e coletiva destinadas às pessoas e comunidades afetadas pela política de internação e isolamento compulsórios adotada no Brasil ao longo do século XX e tem como objetivo ampliar o conhecimento da sociedade sobre a condição, contribuir para a qualificação do debate público sobre a doença e enfrentar os estigmas historicamente associados ao seu diagnóstico.

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 Foto: Reprodução.

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Ao discursar na abertura da 19ª Sessão da Conferência dos Estados-Partes da Convenção, Cosp19, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, ressaltou a importância da voz de quem vive com uma deficiência nessas discussões. O líder da ONU lembrou que a Convenção ajudou a mudar o paradigma da deficiência, passando de um modelo baseado na medicina e na caridade para um modelo centrado nos direitos humanos. Segundo ele, quase todos os acordos firmados, desde então, refletiram essa mudança, com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, consagrando a inclusão de pessoas com deficiência como uma medida fundamental e um fator decisivo na formulação de políticas.

Mais de 90% dos países possuem leis que garantem os direitos das pessoas com deficiência. Quase 80% proíbem a discriminação na hora de contratar funcionários. Além disso, 75% aprovaram leis para garantir a integração de estudantes com deficiência. No entanto, o mais recente Relatório da ONU sobre Deficiência e Desenvolvimento constatou que quase todos os indicadores dos ODS relacionados às pessoas com deficiência estão aquém do que se esperava em termos de avanços.

O secretário-geral ressaltou que, embora haja progressos reais, eles são “inaceitavelmente lentos” e que há o risco de reversão de conquistas. Ele alertou que quando conflitos eclodem ou desastres ocorrem, as pessoas com deficiência estão entre as primeiras a sofrer perdas, incluindo o emprego, o acesso a serviços e até mesmo a vida. Essas crises também podem levar ao surgimento de novas deficiências e causar impactos duradouros na saúde mental.

Guterres encorajou a COSP19 a avançar em três áreas específicas, o combate à violência e ao abuso, o apoio aos sistemas de cuidado e reforço do engajamento cívico. Um terço de todas as crianças com deficiência sofre negligência ou violência, seja ela emocional, física ou sexual. O secretário-geral pediu mecanismos mais adequados para identificar e denunciar esses casos. Sobre sistemas de cuidado, ele disse que eles devem inclui melhores serviços de reabilitação, moradia acessível, tecnologia de assistência e transporte aprimorado.

Segundo Guterres, as pessoas com deficiência estão frequentemente ausentes de muitos cargos políticos e outras funções. Além disso, nos países em desenvolvimento, cerca de 30% das pessoas com deficiência enfrentam obstáculos ao tentar votar em eleições. Ele fez um apelo para que os governos eliminem todas as barreiras à participação em todos os aspectos da vida política e pública.

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LEIA TAMBÉM. Foto: Reprodução.

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