Padilha sobre restrição de circulação em NY: “Não podem impedir uma ideia”
Em evento na sede da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) em Brasília, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), voltou a falar nesta terça-feira (23) sobre restrições impostas a sua circulação em Nova York, onde ocorre a 80ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas).
Na semana passada, ao liberar o visto de Padilha para acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na conferência, os EUA impuseram controles de deslocamentos internos ao ministro, restringindo sua movimentação a cinco quarteirões da cidade norte-americana.
Segundo Padilha, o fato de o Brasil presidir o G20 (grupo de países com as maiores economias globais) e o Mercosul lhe obrigariam a comparecer no encontro anual promovido pelas Nações Unidas.
No entanto, conforme relatou o próprio ministro, isso não seria possível devido ao cancelamento de seu visto por parte do governo dos EUA no mês passado. Na ocasião, sua esposa e filha tiveram suas permissões para pisar em solo norte-americano revogadas.
“Então, deixar muito claro, viu, que podem tentar circular um ministro, mas não podem circular, não podem impedir a circulação da ideia e da proposta . Se não querem que eu vá à Assembleia da Opas, dia 29 e 30, nós vamos anunciar daqui todas as ações de fortalecimento da Organização Panamericana de Saúde”
No mês passado, os EUA cancelaram os vistos do ministro, de sua esposa e de sua filha. À época, funcionários do Ministério da Saúde também tiveram suas permissões para pisar em solo norte-americano revogadas.
Diante da postura dos EUA, Padilha comunicou, na última sexta-feira (19), que não viajaria ao país como parte da comitiva Lula na ONU. Em carta enviada aos países membros da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), ele culpou as restrições impostas pelo governo norte-americano.
“Fui informado, nesta quinta-feira (18), da postura do governo dos Estados Unidos de restringir a minha circulação no país a poucos quarteirões de Nova York, o que impede a minha ida a Washington, em flagrante desacordo com o Acordo de Sede”, escreveu Padilha.
De acordo com ele, a capacidade do Brasil de “continuar contribuindo” para os avanços da saúde “está cerceada”. Padilha destacou ainda que a decisão dos EUA de impor restrições a ele é “arbitrária e autoritária, que afronta o direito internacional e prejudica a cooperação harmônica entre países soberanos”.


