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Crise na Cassems: Servidores Protestam na Alems Contra Contrato com Instituto Acqua e Denunciam Falta de Transparência

Crise na Cassems: Servidores Protestam na Alems Contra Contrato com Instituto Acqua e Denunciam Falta de Transparência

IMG-20250930-WA0172-300x169 Crise na Cassems: Servidores Protestam na Alems Contra Contrato com Instituto Acqua e Denunciam Falta de TransparênciaServidores públicos estaduais de Mato Grosso do Sul realizaram uma manifestação na Assembleia Legislativa do Estado (Alems) nesta terça-feira (30/09/2025) para expressar profundo descontentamento e preocupação com a administração da Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul). O foco principal do protesto foi o recente contrato de gestão compartilhada firmado entre a Cassems e o Instituto Acqua para a administração de seus dez hospitais próprios.

Cerca de 80 a 100 servidores estiveram presentes na Casa de Leis, empunhando cartazes e faixas que destacavam as reivindicações e a insegurança em relação à nova parceria.

Contrato com Instituto Acqua Gera Alerta e Preocupação

A principal queixa levantada no manifesto é a contratação do Instituto Acqua, uma Organização Social (OS) com mais de 20 anos de experiência em gestão hospitalar no Brasil. Os servidores questionam a decisão, ressaltando o histórico da empresa, que estaria envolvida em diversos escândalos de gestão hospitalar, bloqueio de bens, ações de improbidade administrativa e fraude trabalhista no Nordeste e no estado de São Paulo. A instituição já teria tido, inclusive, um contrato encerrado pelo Governo do Estado em Ponta Porã.

Para os manifestantes, a contratação de uma empresa com tal histórico para ser a “cuidadora” de dez hospitais da Cassems é vista com extrema desconfiança. O movimento também critica o fato de os servidores não terem sido consultados sobre a parceria, que, dada a sua envergadura, deveria ter sido levada à votação na Assembleia da categoria.

Segundo o presidente da ABECAMS (Associação dos Beneficiários da Cassems), Jeder Fabiano, o movimento está apenas no início, em uma vertente positiva, e a atual administração precisa entender e respeitar os anseios dos beneficiários.

Deputado João Henrique Catan Denuncia Atrasos e Falta de Prestação de Contas

Durante a sessão plenária na Alems, o deputado João Henrique Catan (PL) utilizou a tribuna para denunciar a situação financeira e a falta de transparência da Cassems.

O parlamentar revelou que a entidade que representa a maioria dos anestesistas (Servan) notificou seu gabinete, alertando para a suspensão de serviços devido a atrasos no pagamento que se arrastam desde 2021.

O deputado questionou o destino dos R$ 60 milhões que o Governo do Estado havia aportado em 2023, com o objetivo de regularizar justamente esses débitos da Cassems. Além disso, o deputado criticou a falta de prestação de contas desse aporte à Alems e ao Tribunal de Contas, conforme previa a lei que autorizou o recurso.

João Henrique também denunciou que representantes e funcionários públicos que levantam a voz contra os desmandos da atual gestão têm sido atacados em suas vidas pessoais. Ele reforçou a necessidade de “abrir a caixa-preta” da instituição e instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Medo de Falência e Ocultação de Informações

O clima entre os servidores é de alta tensão e preocupação, com a percepção de que a Cassems estaria escondendo informações negativas de seus beneficiários. Alguns manifestantes expressaram a crença de que a Caixa de Assistência pode já estar financeiramente falida, vivendo de “propaganda” para mascarar a realidade.

Um dos participantes do manifesto comparou a situação da Cassems ao que teria ocorrido com o Previ-Sul (antigo plano de saúde dos servidores), alertando que a entidade “já está quebrada e vive de propaganda”. Ele citou relatos de centenas de funcionários em grupos de WhatsApp que apontam para o tamanho do descaso da Cassems com seus beneficiários, apesar de a entidade apresentar um serviço hospitalar como “excelente”.

A manifestação desta terça-feira evidencia a crise de confiança dos servidores em relação à gestão da Cassems, exigindo maior transparência, responsabilização e o fim da “inclusão” de empresas com históricos controversos na administração

dos hospitais.

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