A CBF acua e chantageia times da Série B – 08/11/2025 – Juca Kfouri

A CBF acua e chantageia times da Série B – 08/11/2025 – Juca Kfouri

A CBF segue a mesma, apenas com presidente mais submisso que o anterior.

Ednaldo Rodrigues não entendeu seu papel e quis mandar como se estivesse na Federação Baiana de Futebol. Foi cuspido.

Samir Xaud sabe seu papel de preposto de gente poderosa, tão poderosa que uniu o Tribunal de Justiça do Rio com o Supremo em Brasília.

Quem sofre é o futebol.

Ora porque a presidência de clube gigante depende da justiça para sua nebulosa relação com o INSS, ora porque a arrogância vigente em outra potência procura dinamitar a administração que a antecedeu e busca nos tribunais aquilo que deveria resolver entre seus pares.

Na guerra de elefantes, sobra para as formigas.

A Série B, por exemplo, está submetida à chantagem de quem já teve seus direitos de transmissão, os negociou mal, devolveu-os à CBF sem honrar o acordo nem ser penalizado por isso, e agora, de volta à Casa Bandida do Futebol, chantageia os clubes com a corda no pescoço e na dependência das arbitragens na reta final do campeonato.

Rodrigues era tosco, Xaud é obediente e o colarinho branco, com requintes jurídicos e herança genética, faz a festa celebrada em banquete para poucos e bons, tão bons, mas tão bons, que são maus, são péssimos, o que há de pior, com sobrenomes famosos e métodos torpes.

Enquanto isso, a Liga dos clubes segue como utopia, porque onde há duas ligas, não há nenhuma, por mais que haja gente competente e com os melhores propósitos em ambas.

Aos clubes da Série B resta pegar uma esmola que a torna dependente da CBF ou largar —embora largar signifique a inanição e retaliações nos gramados.

Aos da Série A sobra o caminho da ruptura com uma CBF mafiosa que só admite a Liga sob seu jugo, piada de mau gosto que condena o outrora respeitado futebol brasileiro ao papel de exportador de pé de obra.

Xaud repete a gestão do Marco Polo que não viaja, mas, com outro estilo, mais aberto e resignado ao usufruir de salário, enquanto durar, jamais sonhado nos grotões de Roraima.

Enquanto isso, o assexuado ministério do Esporte a tudo vê convenientemente mudo e generoso para atender interesses eleitoreiros, ao distribuir benesses e ginásios aos seus currais eleitorais, na maioria dos casos representantes da vanguarda do atraso, às vezes até rendidos a falsos progressistas.

À luz de quadro tão tétrico ganhar improvável Copa do Mundo significará apenas ganhar improvável Copa do Mundo para iludir os incautos.

A Série B parece sem saída. A Série A sem caráter.

Em negociação

Negocia-se no Corinthians a solução definitiva para o pagamento da dívida com o estádio: o objetivo é vender ao credor, a Caixa Econômica Federal, o nome da arena e, eventualmente, até transformar a CEF como patrocinadora principal da camisa.

Não é negociação fácil, depende de como romper o atual contrato com a Neo Química, e estará sujeita às críticas dos que verão favorecimento estatal ao clube do coração do presidente Lula, embora a Caixa concorra no mercado com os bancos privados.

Durante anos a Petrobras sofreu as mesmas objeções por patrocinar o Flamengo, embora também tenha como concorrente as grandes marcas multinacionais do petróleo.


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