Alemanha investirá 1 bilhão de euros no TFFF, diz Marina Silva
Anúncio vem dois dias depois de o chanceler alemão, Friedrich Merz, criticar a COP30, realizada em Belém
Palestra sobre o Balanço Ético Global no âmbito do treinamento para a Realidade Climática, realizado em 16 de agosto de 2025, no Rio de Janeiro. Compondo à mesa ministra Marina Silva, Al Gore, Karenna Gore.
Fotos Fernando Donasci/MMA
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, anunciou, na noite desta quarta-feira (19) que a Alemanha se comprometeu a investir 1 bilhão de euros no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, sigla em inglês para Tropical Forests Forever Facility). O anúncio foi feito em pronunciamento a jornalistas na COP30, realizada em Belém.
“A Alemanha fez o anúncio de seu aporte da ordem de um milhão de euros”, disse a ministra. “Graças a todo o esforço que vem sendo feito e numa demonstração de que esse instrumento de financiamento globo é muito bem desenhado e muito bem estruturado”, afirmou.
O anúncio vem dois dias depois de o chanceler alemão, Friedrich Merz, criticar o evento, irritando autoridades brasileiras.
Em uma fala direcionada a empresários do setor varejista, o chanceler exaltou as qualidades da Alemanha e, para ilustrar seu ponto de vista, usou a recente viagem à capital paraense como contraponto. “Perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil na semana passada: ‘Quem de vocês gostaria de ficar aqui?’ Ninguém levantou a mão”, relatou Merz. “Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha, na noite de sexta para sábado, especialmente daquele lugar onde estávamos”, complementou.
O que é o TFFF?
O TFFF foi idealizado pelo governo brasileiro com o objetivo de mobilizar recursos internacionais para a preservação das florestas tropicais. O fundo foi apresentado pela primeira vez na COP28, em 2023, pelo diplomata André Corrêa do Lago, atual presidente da COP30, e vem sendo tratado como uma das principais bandeiras do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na busca por financiamento climático.
Durante seu discurso mais recente, o presidente Lula reforçou o apelo para que outros países contribuam com o fundo, destacando que a preservação das florestas é fundamental no combate às mudanças climáticas. Ele teve o respaldo de 53 nações, mas, inicialmente, apenas quatro – além do Brasil – investiram.
Como vai funcionar o Fundo para Floresta?
O primeiro ponto do Fundo Florestas Tropicais para Sempre é arrecada investimento para o projeto. Caso a meta de US$ 125 bilhões seja atingida, o TFFF passa a ser o maior fundo de conservação já feito. O capital pode vir por meio de governos, empresas e fundações, e to total estipulado, US$ 25 bilhões viriam de países parceiros, como Brasil, Noruega, Alemanha, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos e China, além de grandes fundações internacionais. Valor seria uma espécie de garantia para atrair mais US$ 100 bilhões em investimentos.
Brasil anunciou o investimento de US$ 1 bilhão, a Noruega entrou com US$ 3 bilhões, Alemanha deverá se posicionar na sexta-feira (7), enquanto o Reino Unido, que apesar de fazer parte da criação do TFFF, disse que não vai investir. O Banco Mundial será responsável por administrar os recursos, enquanto o TFFF deve cuidar do acompanhamento e da distribuição dos pagamentos.
Com o capital conquistado, ele deverá ser reinvestido em projetos com maior taxa de retorno, e a diferença entre o que é pago aos investidores e o que é obtido nessas aplicações (o chamado spread) será destinada a remunerar financeiramente países que preservam suas florestas tropicais, de forma proporcional à área conservada.
O fundo propõe que países com grandes áreas de floresta tropical, como Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo, sejam remunerados pela conservação dos biomas. Só que para receber o dinheiro, cada país precisará, porém, mostrar, com base em monitoramento por satélite, que o desmatamento ficou abaixo de 0,5% ao ano.


