Aonde vai chegar a correria no futebol? – 29/11/2025 – Tostão
Antes da grande decisão entre Flamengo e Palmeiras, a expectativa dos torcedores em uma final equilibrada era que o técnico de seu time fizesse uma mágica e criasse uma estratégia inovadora, surpreendente. para conquistar a Libertadores. Jornalistas e analistas desejavam o mesmo, sem torcer, para terem um ótimo assunto, uma grande manchete.
Uma estratégia possível, porém pouco provável em uma final tão equilibrada entre os dois melhores times do continente, era que uma equipe, desde o inicio, sufocasse a outra com uma marcação intensa por pressão em todo o campo, desde a saída de bola do goleiro, para recuperar a bola perto do gol.
Algumas vezes isso acontece em um clássico, como nas vitórias por 3 x 0 do Chelsea sobre o Barcelona pela Liga dos Campeões e a do Cruzeiro contra o Corinthians pelo Brasileirão. Foram jogos parecidos. Chelsea e Cruzeiro não deixaram os adversários jogar e criaram muitas chances de gols.
Havia antes da partida entre Chelsea e Barcelona uma grande curiosidade sobre as presenças de Estêvão e Lamine Yamal, dois jovens, 18 anos, de grande talento, que atuam na mesma posição e possuem estilos parecidos. Lamine é mais jovem alguns meses, mas está à frente de Estêvão por brilhar por mais tempo no Barcelona e na seleção da Espanha. Lamine já é, Estêvão poderá se tornar um grande craque, um fenômeno.
Estêvão atuou muito bem, fez um belo gol. Lamine foi anulado em consequência do total domínio do Chelsea sobre o Barcelona. Quando a bola ia chegar a Lamine, o rápido e ótimo lateral esquerdo Cucurella já estava perto para dar o bote e ficar com a bola. O jovem lateral esquerdo Kaique do Cruzeiro tem a mesma qualidade no desarme.
A marcação por pressão da seleção da Holanda na Copa do Mundo de 1974 foi modelo para o que acontece hoje no futebol mundial. Onde estava a bola havia um holandês para recuperá-la. Era a pelada organizada. Essa estratégia foi abandonada ou raramente repetida por causa do cansaço físico e também porque deixava muitos espaços na defesa.
Ela ressurgiu no Barcelona uns 30 anos depois, sob o comando de Guardiola, inspirado em Cruyff, o craque que mais brilhou como atleta e como treinador. No Barcelona, o jogador Guardiola bebeu na fonte do técnico Cruyff.
Para funcionar muito bem, uma marcação por pressão em todo o campo, desde a saída de bola do goleiro, é necessário muita intensidade e que todos participem. Se não for assim, abrem-se grandes espaços na defesa de quem pressiona.
As grandes equipes de todo o mundo cada vez mais se preparam para pressionar, recuperar rapidamente a bola e também para sair trocando passes desde o goleiro quando são pressionadas. Não é fácil. Para isso é preciso ter ótimas condições físicas e grandes e bons elencos.
O futebol está cada dia mais intenso, prazeroso e com maior número de gols. O Fluminense goleou o São Paulo por 6 x 0 pelo Brasileirão. Na Liga dos Campeões, o Real Madrid venceu o Olympiakos por 4 x 2, com quatro gols de Mbappé, e o PSG ganhou do Tottenham por 5 x 3, com três gols de Vitinha. Ele não é um volante nem um meia. É um meio-campista que atua de uma intermediária à outra. É o futebol moderno.
Os jogadores não param de correr. Até onde isso vai chegar?
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