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Após Maduro liberar prisioneiros, González Urrutia afirma que eles são ‘reféns’

Após Maduro liberar prisioneiros, González Urrutia afirma que eles são ‘reféns’

Exilado na Espanha, opositor critica governo por libertar presos sem garantias de liberdade plena, apontando manipulação política: ‘Na Venezuela, a dignidade humana é usada como moeda’

EFE/ Miguel Gutiérrez

Adversário de Maduro nas eleições de julho de 2024, Edmundo González Urrutia alega ter vencido com uma ampla maioria

O opositor Edmundo González Urrutia questionou, nesta sexta-feira (26), a liberdade condicional concedida pelo governo da Venezuela a 99 pessoas presas durante a crise política que se seguiu à reeleição do presidente Nicolás Maduro. González, que foi adversário de Maduro nas eleições de julho de 2024, alega ter vencido com uma ampla maioria. O Ministério das Relações Penitenciárias da Venezuela anunciou, na noite de quinta-feira (25), que as libertações foram feitas “como expressão do compromisso do Estado com a paz, o diálogo e a justiça”.

Diversas ONGs confirmaram a libertação de entre 45 e 63 pessoas, incluindo três adolescentes e uma médica de 65 anos, condenada a 30 anos de prisão por “traição à pátria” após divulgar um áudio criticando o presidente. Em sua conta no X (antigo Twitter), González Urrutia escreveu: “Celebrar uma libertação não implica normalizar o inaceitável”. O exilado na Espanha afirmou que, apesar de estarem livres, os presos continuam com processos abertos, sob vigilância e enfrentando ameaças.

O diplomata de 76 anos chamou a libertação de “seletiva”, afirmando que os prisioneiros ainda vivem sob pressão e medo. “São reféns! Pessoas detidas arbitrariamente, usadas para enviar mensagens, exercer pressão, disciplinar a sociedade e, em seguida, liberadas quando convém ao poder, sem verdade ou garantias”, declarou.

Além disso, González Urrutia criticou o tratamento dado à sua família, citando o caso de seu genro, Rafael Tudares, condenado a 30 anos por “terrorismo”, enquanto a família denunciava seu desaparecimento forçado. “Na Venezuela, a liberdade se administra. A dignidade humana é usada como moeda. As pessoas se tornam instrumentos”, finalizou o opositor.

*Com informações da AFP

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