Opinião: A Crise na CASSEMS e o Desafio da Ética: A Voz do Servidor Sob Ataque.
A recente articulação dos beneficiários da Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul (CASSEMS) para a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) em dezembro não é apenas um sinal de insatisfação; é um grito de socorro de uma categoria que se vê abandonada pela própria instituição criada para zelar por sua saúde.
Falo como um legítimo interessado e afetado: sou beneficiário da CASSEMS e funcionário público estadual. Minha rotina, como a de milhares, é pautada pelo dever de servir ao Estado e de responder por meus atos. Aliás, vivo hoje a realidade de, pela coragem de falar algo tão sensível como é as ações obscuras e forças ocultas que envoltam a administração da CASSEMS, já fui até alvo de denúncias no meu labor, na minha integridade e na minha moral, tendo que responder a acusações e lutar pela minha integridade funcional, pessoal e moral. Esse cenário de vigilância e cobrança, que é o padrão do serviço público, contrasta drasticamente com o que vemos na alta gestão da nossa Caixa Assistencial.
A crise instalada na CASSEMS é profunda e multifacetada, com contornos de escândalo iminente á vista, por esta e outras, nossas reivindicações não são ouvidas, conforme reclamamos o direito de uma AGE presencial e, detalhado na pauta do pedido desta AGE. De um lado, o usuário depara-se com a deterioração da qualidade dos serviços, médicos e laboratórios descredenciados e aumentos no fator participativo que, em alguns exames, superaram 100% — tudo isso enquanto a reposição inflacionária para o servidor é pífia, chegando ao ponto de, o presidente da CASSEMS jogar para o Governo do Estado a culpa por esses aumentos que em casos específicos, passam dos 100% de aumento, de forma surreal, como . De outro lado, a fundação da crise parece residir em dúvidas sérias sobre a honestidade e a transparência dos dirigentes.
O que está em jogo não são meros erros de gestão, mas alegações graves de conflito de interesses, como a criação de um banco com o nome da CASSEMS, que, após várias denúncias de ações obscuras da então diretoria, quem não garante que tem lastro de patrimônio da CASSEMS garantindo esse banco que nem banco é?. E ainda, a denúncia de venda subavaliada de patrimônio da instituição. A sombra de contratos obscuros e a suposta hipoteca de imóveis por valores questionáveis, utilizando-se de manobras para ações de empréstimos financeiros fora do território Sul Mato-grossense, parecendo estarem tentando ludibriar a coisa pública, pois envolveram o nome do Governo do MS, sem o devido aval legislativo, levantam uma nuvem de desconfiança que exige mais do que notas de esclarecimento: exige responsabilização e afastamento.
É inaceitável que, em um momento de crise tão aguda, onde a palavra de ordem deveria ser a humildade e a prestação de contas, a cúpula da instituição opte pelo ataque e pela desqualificação. Presenciamos recentemente, em uma live, o próprio Presidente da Caixa Assistencial atacando frontalmente a ABECAMS (Associação dos Beneficiários da CASSEMS), chegando a chamá-la de associação “mequetrefe”. O ataque direcionado ao Presidente da ABECAMS demonstrou um total desrespeito e desespero não apenas com a associação, mas com todos os beneficiários que ela representa.
O que esse episódio revela é uma preocupante postura de quem demonstra preocupação zero com a fiscalização e a livre manifestação da base, preferindo o desprezo público ao diálogo construtivo.
Enquanto o servidor público, na ponta, lida diariamente com a transparência e as consequências de toda e qualquer denúncia administrativa, a diretoria da CASSEMS parece operar acima de qualquer suspeita, reagindo à crítica com ofensas.

A Assembleia Geral Extraordinária de dezembro é, portanto, a chance de resgate. Os beneficiários estão exigindo, e com razão, não apenas a melhoria dos serviços e o fim das cobranças abusivas, mas, acima de tudo, a possibilidade de criação de uma Junta Interventora de Beneficiários para fiscalizar a gestão e reformar o estatuto.
É hora de a CASSEMS voltar a ser a casa de assistência que nasceu para ser, e não um palco de suspeitas e desmandos. A integridade não pode ser um luxo para os dirigentes, mas sim o pilar inegociável da gestão de um patrimônio que pertence a todos nós, servidores públicos de Mato Grosso do Sul. Queremos respeito, transparência e, acima de tudo, a garantia de que nosso dinheiro e nossa saúde estão em mãos éticas e competentes.


