Bitcoin testa reação antes da inflação nos EUA
O bitcoin (BTC) até ensaiou uma alta nesta terça-feira (13), antes da divulgação da inflação ao consumidor de dezembro (CPI, em inglês) dos Estados Unidos, mas nada que empolgasse os investidores.
Por volta das 9h, a maior cripto do mercado era negociada na faixa dos US$ 92 mil, com avanço de 1,61%.
Esse dado de inflação dos EUA, junto com o relatório de emprego (payroll), é um dos principais termômetros usados pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) para decidir os rumos da política monetária.
Uma inflação mais baixa e um mercado de trabalho sem sinais de superaquecimento abrem espaço para cortes de juros – o que costuma beneficiar as criptomoedas e outros ativos de risco.
Segundo a ferramenta CME FedWatch, que mede as expectativas do mercado, 95% dos agentes apostam que o Fed vai manter os juros inalterados na reunião deste mês – ou seja, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
Há outro ponto que deve respingar no mercado cripto nesta semana: a votação do Clarity Act, um projeto de lei federal nos Estados Unidos que busca criar um marco regulatório claro para ativos digitais. A votação está marcada para quinta-feira (15).
O projeto tenta resolver uma das maiores questões do setor: quem regula o que no mercado cripto americano – se é a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, em inglês), a Comissão de Negociação de Contratos Futuros de Commodities (CFTC, em inglês) ou outro órgão.
“O CPI e o Clarity são os fatores decisivos desta semana. Um resultado fraco (da inflação) mantém os cortes de juros em jogo, e a aprovação (do projeto de lei) elimina uma incerteza de longa data”, disse o estrategista Jasper de Maere, da Wintermute.
ETFs e geopolítica
Segundo a Bitfinex, embora a perspectiva de médio prazo para 2026 continue construtiva, sustentada pela expectativa de melhora gradual da liquidez global, o comportamento de curto prazo ainda enfrenta outras limitações.
O BTC, diz a casa, segue testando uma faixa de resistência duradoura entre US$ 93.500 e US$ 95.000.
“Incertezas geopolíticas, fluxos mistos de ETFs e a necessidade de uma consolidação clara acima dessa zona de resistência também impedem, por ora, uma mudança mais decisiva na estrutura do mercado”, disseram.
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Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h.
Bitcoin (BTC): +1,61%, US$ 92.031,71
Ethereum (ETH): +0,56%, US$ 3.132,10
XRP (XRP): +0,96%, US$ 2,04
BNB (BNB): +0,86%, US$ 907,79
Solana (SOL): +1,44%, US$ 141,60
Outros destaques do mercado cripto
Verde sai do jogo cripto. O fundo Verde, um dos mais tradicionais e respeitados do Brasil, decidiu zerar sua posição em criptomoedas. A gestora havia entrado nesse mercado no fim de 2024 – movimento que foi visto como um selo de “validação institucional” para os ativos digitais. Agora, em carta divulgada nesta semana, o fundo informou que saiu completamente da posição. O motivo não foi revelado. A decisão vem num momento em que o bitcoin anda sem muito fôlego e o humor do mercado segue mais azedo.
Fundos no vermelho (de leve). A semana passada foi levemente negativa para os fundos brasileiros de criptomoedas. No total, eles tiveram saídas de US$ 500 mil (algo como R$ 2,6 milhões). Mas isso não foi só aqui. Lá fora, ETFs (fundos negociados em bolsa) e produtos parecidos ligados a cripto viram US$ 454 milhões (cerca de R$ 2,4 bilhões) irem embora no mesmo período. Pelo visto, o mau humor com o setor continua no ar.
Briga pelo rendimento. A exchange Coinbase está fazendo pressão em Washington para não perder o direito de pagar “juros” a quem deixa stablecoins paradas na plataforma. O estopim é um trecho do Clarity Act que pode proibir empresas não bancárias de oferecer esse tipo de recompensa. No centro da discussão está o programa da corretora que paga cerca de 3,5% ao ano para quem segura o dólar digital USDC por lá. Os bancos dizem que isso drena depósitos do sistema tradicional; a Coinbase fala que isso é só concorrência.
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