Chuva em Juiz de Fora: voluntários se mobilizam no resgate de animais
Moradores buscam abrigo em escolas de Juiz de Fora após desabamentos
Temporal deixou ao menos 30 mortos na Zona da Mata de MG. Crédito: Rayanderson Guerra/Estadão
A forte chuva que atingiu Juiz de Fora no fim da tarde de segunda-feira, 23, já caia havia mais de cinco horas. Algumas ruas estavam alagadas e os rios começavam a transbordar. Voluntários da associação Amor Não Tem Raça tentavam atravessar a enxurrada para chegar à sede da entidade de proteção aos animais que abriga cães e gatos. Com as águas subindo rapidamente, a preocupação era evitar que se afogassem.
Já passava de 1h da madrugada quando, com a ajuda do Corpo de Bombeiros e um bote, os voluntários conseguiram chegar ao canil. A água já havia invadido as instalações, mas todos foram salvos. Dois cachorros estavam machucados e um terceiro chegou a ser internado, mas já estão fora de perigo.

Chuva alagou abrigo em Juiz de Fora (MG); animais foram resgatados com ajuda do Corpo de Bombeiros. Foto: Reprodução via instagram/@miriam_neder
A tempestade que arrasou Juiz de Fora entre a noite de segunda-feira e a madrugada de terça-feira deixou pelo menos 46 mortos e mais de 400 desabrigados. Muitas pessoas ainda estão desaparecidas. De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), choveu naquela noite mais do que era previsto para todo o mês de fevereiro.
A cidade enfrenta o fevereiro mais chuvoso de sua história, com 589 milímetros acumulados até o momento – mais de três vezes o volume esperado para o mês, de 170 milímetros.

Animais resgatados em Juiz de Fora precisam de ração. Foto: Reprodução via Instagram/@miriam_neder
Segundo o relato da coordenadora da associação, Miriam Neder, quando o resgate foi feito, por volta de 1h30 de terça-feira, alguns cachorros já não conseguiam colocar os pés no chão e outros tinham escapado para o pátio de uma empresa localizada ao lado da sede da associação.
“O gatil também foi inundado, mas, como os gatos têm muitos nichos nas paredes e a bancada, foi mais tranquilo”, relatou. “Perdemos tudo que tínhamos, mas estamos todos salvos. Agora é limpar a sujeira e começar tudo de novo.”
A voluntária informou em suas redes sociais estar precisando de ração para os cachorros e material de limpeza e pede ajuda aos internautas.
“Força não nos faltará”, concluiu.
Em meio a tragédias como a de Juiz de Fora, os gestos de solidariedade tendem a se multiplicar. A Associação dos Motoboys, Motogirls e Entregadores de Juiz de Fora convocou seus associados a disponibilizar seus serviços para ajudar na distribuição de doações. A Tropa Solidária, como estão sendo chamados, estão buscando doações e fazendo entregas.
Conforme mostrou o Estadão, Juiz de Fora tem a nona maior população do Brasil vivendo em áreas de risco. Dos 540 mil habitantes do município, cerca de 130 mil pessoas estão suscetíveis a deslizamentos, inundações e enxurradas, segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão ligado ao Ministério da Ciência.



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