Com ataque ao Irã, Copa do Mundo nos Estados Unidos entra em terreno desconhecido
Os principais executivos da entidade que governa o futebol mundial estavam reunidos dentro de um castelo no sul do País de Gales no fim de semana passado quando foram subitamente distraídos pelos celulares vibrando. Eles participavam de uma reunião anual para discutir ajustes nas regras, como mudanças nas substituições e no uso do árbitro de vídeo. Mas a cúpula da FIFA passou a ser interrompida por um assunto muito mais urgente.
Os Estados Unidos, um dos países-sede da Copa do Mundo FIFA de 2026, haviam lançado o que chamaram de “uma grande operação de combate” contra o Irã, um dos países classificados para disputar o torneio. E ninguém na FIFA tinha muita certeza do que exatamente aquilo significava.
Tudo o que sabiam era que a Copa do Mundo de 2026 estava entrando em território desconhecido.
“Claro que vamos monitorar os desdobramentos de todas as questões ao redor do mundo”, disse o secretário-geral da FIFA, Mattias Grafstrom. “Nosso foco é realizar uma Copa do Mundo segura, com todos participando.”
A geopolítica sempre esteve presente nesses grandes eventos esportivos internacionais, mas não desde a Segunda Guerra Mundial os acontecimentos globais haviam colidido de forma tão violenta com o evento esportivo mais popular do planeta.
Em questão de semanas, a Copa organizada por Estados Unidos, Canadá e México passou a enfrentar uma lista crescente de dúvidas sobre sua capacidade de acontecer conforme o planejado.
Além da situação envolvendo o Irã, a FIFA acompanha o que acontece em Guadalajara, onde a violência ligada a cartéis tomou conta de uma cidade mexicana que deveria sediar quatro partidas em junho. Os organizadores do torneio também não sabem como lidar com a proibição de viagens imposta pelo governo de Donald Trump, que entrou em vigor em 1º de janeiro e pode impedir torcedores e até membros da seleção do Haiti de acompanhar a equipe na Copa.
Tudo isso deixou a FIFA em um desconfortável jogo de esperar para ver, com menos de 100 dias para o início do torneio.
“O certo é que, depois desse ataque, não se pode esperar que olhemos para a Copa do Mundo com esperança”, disse o presidente da federação iraniana de futebol, Mehdi Taj, à imprensa do país.
Quando o Irã joga?
O Irã deve disputar suas duas primeiras partidas do torneio em 15 e 21 de junho na região de Los Angeles, que abriga uma das maiores comunidades da diáspora iraniana nos Estados Unidos. Depois, a seleção deveria seguir para Seattle para o terceiro jogo da fase de grupos. Entre essas partidas, o time deve viajar de ida e volta para seu centro de treinamento da Copa em Tucson, no estado do Arizona.
Caso a seleção se retirasse do torneio, seria algo sem precedentes na história moderna da Copa do Mundo. Nenhum país classificado deixou de enviar uma equipe há mais de meio século. Por enquanto, porém, os organizadores não discutem planos de contingência.
“Vamos lidar com jogos de futebol amanhã”, escreveu Andrew Giuliani, diretor executivo da força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, nas redes sociais no sábado. “Esta noite, celebramos a oportunidade deles de liberdade.”
Naturalmente, as preocupações com um evento esportivo e com quem pode ou não participar estão bem abaixo na lista atual de prioridades da Casa Branca. (“Eu realmente não me importo”, disse Trump ao Politico nesta semana.)
Ainda assim, a escala e a gravidade da situação deixaram a FIFA sem saber como reagir diante de uma Copa do Mundo que deveria ser mais simples de organizar. As duas edições anteriores ocorreram na Rússia, de Vladimir Putin, e no Catar, onde as críticas por supostas violações de direitos humanos dominaram o período que antecedeu o torneio.
Desde que os direitos de sediar a Copa foram concedidos aos Estados Unidos em 2018, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, aproximou-se de Trump. O dirigente suíço, que supervisiona o futebol mundial há uma década, tem sido visitante frequente da Casa Branca e presença constante em eventos presidenciais que vão muito além do esporte.
Cúpula da Paz
Em outubro, Infantino participou da cúpula de paz sobre Gaza realizada no Egito. No mês passado, também esteve na primeira reunião do Conselho de Paz de Trump. Durante o evento, chegou a colocar um boné vermelho com “USA” e os números “45-47” bordados na lateral.
No sorteio da Copa do Mundo realizado em Washington, D.C., em dezembro, Infantino chegou a conceder a Trump o primeiro Prêmio da Paz da FIFA, uma distinção criada às pressas que incluía troféu e medalha.
“É isso que queremos de um líder, um líder que se preocupa com as pessoas”, disse Infantino na ocasião. “Você sempre pode contar com meu apoio — com o apoio de toda a comunidade do futebol.”
Desde a operação no Irã, no entanto, as declarações públicas de Infantino têm sido mais limitadas. Na última semana, suas publicações nas redes sociais se concentraram mais em celebrar seus 10 anos no cargo e o fato de ter alcançado 4 milhões de seguidores no Instagram.
Traduzido do inglês por InvestNews



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